A essência das canções de Ceumar

Cantora lança CD autoral gravado no Teatro Fecap, onde volta a partir de hoje

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

Graça, leveza, ternura, inteligência e clareza são virtudes que se aplicam à arte de Ceumar. Dona de voz cristalina, envolvente e afinada como poucas hoje, ela já lapidou canções de Zeca Baleiro, Chico César, Itamar Assumpção, Josias Sobrinho, Dante e Ná Ozzetti, entre outros, em três belos álbuns - Dindinha, Sempre Viva e Achou (este com Dante Ozzetti)- desde 1999. Agora, a cantora ilumina suas qualidades de compositora em Meu Nome (Circus Produções Fonográficas), que lança em dois fins de semana de shows, a partir de hoje, no mesmo Teatro Fecap onde foi gravado há cerca de um ano. Ouça trecho da faixa MãeAlguns parceiros das canções, como Dante, Tata Fernandes, Yaniel Matos e o percussionista Sérgio Pererê, fazem participações ao longo da temporada. Outros convidados são Fabiana Cozza, Lelena Anhaia, Rubi e o holandês Ben Mendes, marido, músico e produtor da cantora. Com suas composições, ela mantém a coerência com o que já vinha cantando de outros autores. "Acho que o que consigo melhor com minha música é desenvolver mais a musicalidade, mais até do que o aspecto da composição. Não sou uma estudante, como Dante Ozzetti, que é um mestre da canção", diz. "O que faço é pegar meu violão, que me acompanha desde os 16 anos, e abraçá-lo. Ele me ajuda a descobrir melodias."Ceumar se acompanha sozinha ao violão na maioria das canções, em ritmo de samba, frevo, ciranda, bossa, balada, bolero, toada, reggae. O pianista cubano Yaniel Matos toca lindamente nas suas parcerias com ela (Um Dia de Chuva e Dança), além de Ciranda (dela e Dante). Pererê marca presença em Gira de Meninos (dos dois) e na vinheta Oiá, só dele. Gira e Oração do Anjo (parceria de Ceumar com Mathilda Kóvak), já tinham sido gravadas por Rubi.Como o show que gerou o disco, este é composto só de novas canções, mas isso não é empecilho para prender a atenção da plateia. São canções que fisgam o ouvinte à primeira audição, como o divertido frevo Maracatubarão, música e letra dela. Meu Mundo (parceria com Tata Fernandes) é uma daquelas baladas radiofônicas que se os programadores das emissoras brasileiras se dignassem a tocar viraria hit. "Acho que a maioria do público que me acompanha é ávido por novidades", diz a cantora. Mas se alguém pedir Dindinha (Zeca Baleiro), que é a "música da vida" dela, no bis, Ceumar não vai se negar a cantá-la. Ademais, as 20 faixas do CD são canções de fácil assimilação, com poucos acordes e arranjos despojados, mais próximos "do real", do essencial. "Minhas músicas são simples, gosto dessa coisa de cantar fácil, que aprendi ouvindo rádio com meus pais." O disco foi mixado em Amsterdã. O subtítulo Live in São Paulo e os textos em inglês indicam a intenção de Ceumar internacionalizar melhor sua música. Mineira radicada em São Paulo, ela tem ido bastante à Holanda, onde o marido ficou morando. Lá ela gravou outro álbum com ele, ainda sem previsão de lançamento. Para a MãeDE BERÇO: Filha de cantores, Ceumar traz de casa o primor com a melodia e a afinação. Uma das canções mais bonitas de Meu Nome é Mãe, composta para Wilmar, a mulher que foi uma referência musical para ela. Por isso considera a faixa mais importante do disco. No dia 4 de março de 2008, de volta de uma visita à mãe em Minas, Ceumar compôs a canção em homenagem a ela. Uma dia depois Wilmar morreu. Foi com ela que Ceumar aprendeu a ouvir música e também a cantar. "Sempre foi uma inspiração de voz e de música para mim. Minha mãe e meu pai, também cantor, não me deixavam desafinar", conta Ceumar. Com melodia e letra de sua autoria, a canção diz: "Ela foi a primeira vozDesde a primeira vezQue o som se fezNunca desafinouNunca perdeu o tomCantarolava felizCada verso diz maisQuando vem emolduradoPor sua vozE eu aprendi muito bemSempre tento ecoarA voz primeiraA voz mais belaA voz de marDa minha mãe, Wilmar..."ServiçoCeumar. Teatro Fecap (400 lug.). Avenida Liberdade, 532, 2198-7719. 6.ª e sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ 20. Até 17/5

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