A Dupla Vida de Véronique, no cinema inspirado de Kieslowski

A Dupla Vida de Véronique (Futura, 23h30), é um dos filmes mais intrigantes do polonês Krysztof Kieslowski (1941-1996). Talvez menos localizável que sua famosa trilogia das cores (A Liberdade É Azul, A Igualdade É Branca, A Fraternidade É Vermelha), Veronique reatualiza o velho tema do duplo. Weronika e Véronique, uma na Polônia, outra na França, e as duas interpretadas pela magnífica Irene Jacob, seguem vidas paralelas, numa trama fascinante. Esse mote persegue a humanidade e já inspirou escritores como Dostoievski, Borges e Cortázar. Haverá alguém que seja como nós, vivendo em outra parte e mantendo uma existência paralela à nossa? A novidade é a maneira envolvente, calorosa, e sempre tão marcante de Kieslowski filmar. Suas imagens, associadas à música de Sbigniew Preisner, compõem um todo difícil de esquecer. A alternativa nacional seria Cleópatra (Telecine Cult, 8 h), do sempre original Julio Bressane. Quem interpreta a rainha do Egito é ninguém menos que Alessandra Negrini, aqui vista como nunca apareceu em novela alguma. Bressane conta a história do romance com Julio César (Miguel Falabella), mas nada é muito linear. O filme é composto à maneira de quadros, na fotografia inspirada de Walter Carvalho.

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