A dieta vai ter de ficar para julho

Não dá para deixar de lado delícias típicas como a tapioca de Alagoas ou o arroz de cuxá do Maranhão

, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

Tão envolvente quanto o som dos pífanos e os versos dos repentistas são os deliciosos quitutes que recheiam as barraquinhas das festas de São João do Nordeste. Comida saborosa, forte e de personalidade, que ajuda a manter de pé a multidão embalada pelo forró e baião.O menu responsável por repor as energias dos festeiros muda, sim, de acordo com o Estado visitado. Ou você pensa que a gastronomia junina é universal? Os produtos típicos e as tradições de cada localidade ajudam na mudança dos aromas e das receitas. Quem voltar da capital do Piauí, por exemplo, sem ter pedido ao garçom um prato de Maria Isabel vai ficar com a viagem incompleta. Trata-se de uma receita bastante famosa em Teresina, à base de carne de sol e arroz. Pode vir acompanhada de feijão tropeiro, mingau de milho e creme de galinha. Uma delícia com sustança.CAJUÍNAPara refrescar, peça uma garrafa de Cajuína, tipo de refrigerante feito a partir do suco de caju. A bebida deve ser servida bem gelada porque, dizem os moradores, o sabor fica melhor. Além disso, ajuda a espantar o calor abafado que predomina em uma das capitais mais quentes do Brasil.Na Princesa do Agreste pernambucano, mais sabores se revelam. A culinária de Caruaru é famosa pela carne de sol e pelo bode na brasa, servidos em restaurantes de comida regional que ficam no Alto do Moura, bairro a cerca de dez quilômetros do centro. E nem pense em fazer cara feia para a iguaria mais nobre da região. O gosto, como se pode imaginar, é bem forte, mas único.Neste ano, a grande novidade gastronômica da cidade foi um concurso organizado em abril pela Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru. Os participantes tiveram de criar pratos em homenagem ao Mestre Vitalino, tema escolhido para o São João de 2009.O restaurante vencedor foi o La Maison, que fica na Avenida Agamenon Magalhães, nº 925. "Usamos muita criatividade para criar a receita", diz o chef do lugar, Severino Ramos. O prato Mestre Vitalino é feito com bode cozido, banana, castanha de caju e pirão de queijo. Custa R$ 16,90.AMARRADINHONa vizinha paraibana, Campina Grande, o São João e a culinária são igualmente famosos. Uma receita conhecida por lá é a macaxeira com carne seca, servida com cebolas fritas e purê de batata com queijo gratinado. Outra delícia é o "amarradinho" de feijão verde, sempre acompanhado de um pouco de manteiga de garrafa. Não tente calcular quantas calorias existem em cada prato.Se você decidiu deixar a dieta de lado, duas opções de restaurante são o Cuzcuz, na Avenida Severino Cruz, nº 771, e o O Murão, na Rua Barão do Abiaí, nº 15, ambos na região central de Campina Grande.ARROZ DE CUXÁNo Maranhão, a viagem não fica completa se não incluir a degustação do arroz de cuxá. O prato representa uma fusão de hábitos e culturas regionais, com influências de povos indígenas, escravos africanos e colonos portugueses.Também chamado de vinagreira ou azedinha, o prato é feito com uma espécie de arroz cozido e camarão. O peixe frito é o principal acompanhamento, além da farinha, é claro.CUSCUZJá no São João de Alagoas, não faltam cuscuz, arroz doce, pamonha e bolo de milho. Mas nada se iguala à fama da tapioca, que por suas peculiaridades, é vendida em outros Estados como tapioca alagoana.O diferencial está nas opções de recheios. Entre os sabores salgados, castanha de caju, amendoim, coco com camarão e carne de caranguejo são alguns exemplos. Entre os doces, brigadeiro, leite condensado e goiabada com queijo.Independentemente do sabor, o principal acompanhamento é o cafezinho, servido de graça nas barracas de tapioca da capital alagoana. Os quiosques mais conhecidos estão nas Praias de Jatiúca e Pajuçara, que chegam até a disputar para ver quem leva o título de melhor quitute de Maceió.A tapioca também faz parte do cardápio do turista que vai ao Ceará. O Estado tem outras semelhanças gastronômicas com seus vizinhos, como a carne de sol no jerimum e a farofa de cuscuz.QUEIJO COALHONo Rio Grande do Norte, quem gosta de carne ainda pode experimentar um bom churrasquinho de bode, acompanhado de um saboroso e salgadinho queijo coalho.Na Bahia, outros sabores juninos, como a canjica, o bolo de mandioca e a batata doce. Para beber, nada melhor do que os licores regionais. Entre as várias opções, o de jenipapo, feito com cachaça, é umas das melhores pedidas.

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