A delicadeza de Adriana Maciel em Dez Canções

Em busca do essencial, cantora soa mais minimalista no sucessor de Poeira Leve

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

Adriana Maciel, brasiliense radicada no Rio, é uma cantora que vem se aprimorando a cada álbum, sempre com produtores diferentes. No primeiro foi Celso Fonseca, no segundo, Sacha Amback e no terceiro, Ramiro Musotto. Depois de abordar o samba com delicadeza em Poeira Leve (2004), ela retorna com Dez Canções (EMI), ainda mais minimalista, com produção de Chico Neves e Bernardo Bosísio."Chico é um produtor que respeita muito o caminho do artista e tem uma sensibilidade e uma musicalidade muito aguçadas. Gravamos no estúdio dele que tem ambiente aconchegante, um som e um microfone de voz maravilhosos", diz Adriana. Antes de gravar ela experimentou algumas canções com Bosísio, com quem atua desde Sozinha Minha (2002), em que ela mais experimentou no estúdio.Além de uma parceria dela com Billy Brandão (O Mundo ao Redor) e outra de George Israel e Cris Braun (Tardes Vazias), neste quarto álbum Adriana interpreta quatro inéditas de Vitor Ramil - Cão (Like a Dog), Perto do Teu Coração Selvagem, Cadê Você e Fórmica Blue, esta com melodia de Luciano Mello -, outra de Celso Fonseca (Ficar). Também regrava Gilberto Gil (Copo Vazio), Caetano e Moreno Veloso (Sertão) e David Bowie (Life on Mars, na versão de Seu Jorge). "É um disco muito pessoal, bem íntimo", diz Adriana.O repertório é bonito, conciso e equilibrado, com soluções sonoras em que menos vale mais. "É uma questão de gosto pessoal. Acho que o disco é a fotografia de um momento. Poderia ter feito de diversas maneiras, mas escolhi esta. Hoje a gente ouve muito ritmo. Adoro ritmo, adoro dançar, mas também gosto muito de canção, minha voz é para canção. E desde Poeira Leve tenho tido vontade de menos coisas, de usar apenas o que as canções pedem", diz a cantora.Enfim, foi em busca do essencial, na contramão desses tempos de excesso de informação. "A gente parece que precisa ser muito estimulada, cada vez mais, tanto no aspecto visual como auditivamente", diz. "Nasci em Brasília, onde pelo menos quando vivi lá tinha muito espaço. As cidades hoje estão muito barulhentas, muito povoadas, as pessoas buscam se divertir demais o tempo todo. Enfim, é um processo que até não acho tão ruim, mas eu quero menos."Ao mesmo tempo, Adriana também volta os olhos para o que realizou em dez anos de carreira desde o primeiro disco, que foi gravado às pressas com resultado estranho. "De certa forma quis refazer a minha história, olhar para o que fiz até agora e como pretendia continuar, sem pretensão de querer mostrar nada de novo, inédito, porque acho isso muito difícil hoje em dia."Vitor Ramil está presente em todos os CDs de Adriana. Em Poeira Leve não tem música sua, mas ele participa. A identificação com ele ressalta as qualidades vocais da cantora. Seu estilo, expressivamente suave, afina com o tipo de melodia e harmonias do compositor. Por isso escolheu quatro de suas canções, mais pelo conteúdo delas do que por ser dele. Cadê Você, que Ramil tirou do baú, é um dos achados deste adorável CD.

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