A Culpa É do Fidel trata de política com graça e leveza

Filha do cineasta Costa-Gavras, Julie Gavras honrou a fama de grande cineasta político do pai. Mais: soube transformar um tema espinhoso em uma adorável comédia. A Culpa É do Fidel (Cinemax, 22h15) traz uma ternura e um bom humor nem sempre presentes nos filmes de Gavras pai.Trata-se da história da pequena Anna, menina de 9 anos que, na década de 1970, não aceita a rotina dos pais, ativistas de esquerda, que vivem em reuniões e festas de revolucionários, em Paris. Ao contrário do pai e da mãe, que sonham em modificar o mundo, Anna prefere manter a sua rotina, que inclui brincadeiras e escola, além do direito (negado pelos pais) de tomar Coca-Cola e ler gibis da Disney.O título vem da frase de sua babá, uma cubana no exílio em Paris para quem o Comandante é responsável por todos os males do mundo. A Culpa É do Fidel não deixa de ser uma modalidade (cômica) do revisionismo histórico ainda em curso. Mas se coloca nele de uma maneira nada cínica ou malévola.Se a era de Fidel Castro no comando de Cuba está praticamente enterrada, o filme de Julie mantém o frescor justamente por apostar no bom humor da pequena Anna.

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