A corrida pelo poder

O livro de estréia de Edgar Morin, O Ano Zero da Alemanha (1946), escrito quando ele tinha apenas 25 anos, acaba de ganhar sua primeira tradução brasileira. A obra chega no mesmo momento em que é lançado aqui O Mundo Moderno e a Questão Judaica. Entre ambos, a distância de 63 anos não diminuiu a importância do primeiro, que trata de um tema correlato: a corrida pelo poder. Se, em O Ano Zero da Alemanha, Morin analisa o momento de transição em que as potências mundiais disputam o espólio alemão após a morte de Hitler, em O Mundo Moderno e a Questão Judaica ele mostra como os acordos internacionais só servem para tornar ainda mais explosiva uma região marcada pela violência das disputas territoriais, analisando a ação de um Estado que nasceu justamente das ruínas do nazismo.Dois outros livros de Morin também lançados este ano dialogam entre si: Cultura e Barbárie Europeias e o segundo volume de Cultura de Massas no Século XX. No primeiro, o ensaísta propõe uma reflexão sobre o avanço da barbárie. A obra mostra como a Europa sobreviveu a cinco séculos de dominação bárbara. No segundo volume de seu estudo sobre massificação cultural, apropriadamente batizado de Necrose, Morin analisa o tecido morto de um organismo que sobrevive às crises que estouram entre 1965 e 1975, obrigando o mundo a repensar o conceito de cultura, que, para o filósofo, significa a capacidade de quebrar, de transgredir as fronteiras entre os diferentes domínios do saber. Este, aliás, é o tema de seu livro Diálogo sobre a Natureza Humana, escrito com Boris Cyrulnik.

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