A comovente homenagem a Grieg e Elgar

Camerata Fukuda, com regência de Celso Antunes, lembra o aniversário dos dois compositores em delicada execução

Crítica Lauro Machado Coelho, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2005 | 00h00

Elgar e Grieg são compositores cujo aniversário se comemora este ano. Foram eles os autores escolhidos por Celso Antunes para o concerto anual que rege com a Camerata Fukuda, de que é o diretor artístico. Mas na apresentação de sábado, no Teatro São Pedro, o maestro brasileiro - que desde 1986 mora e trabalha na Europa - dedicou a primeira parte à família Bach. O início do concerto trouxe duas das sinfonias de Carl Philipp Emanuel, o ''''Bach de Berlin'''', da série encomendada pelo barão Gottfried van Swieten, embaixador da Áustria na Prússia - obras marcadas pela liberdade de inspiração, e pela impulsividade, mais do que pelo respeito à regularidade formal.Foi significativa a escolha da nº 4 em lá menor e da nº 5 em si menor, na medida em que a tonalidade insólita do último movimento da quarta parece anunciar o clima da quinta. Há momentos encantadores, como a simplicidade deliberada do movimento lento da nº 4, que justifica o título do andamento, Largo ed innocentemente. Mas o interesse dessas sinfonias se concentra sobretudo nos impetuosos movimentos finais, sobretudo o poco mosso da Sarabanda; ou as intervenções do violoncelo no estilo sofisticadamente rústico da Musette. Mas é o contagiante allegro con brio do Rigaudon, com o delicado contraste do poco meno mosso central, que constitui o ponto alto dessa sensível visita de Grieg a um passado que remete ao século 18 da primeira parte - o que fechou de forma inteligente o arco do programa. E a forma exuberante como Celso Antunes o conduziu justificou o bis suscitado pelos aplausos da platéia.

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