A Casa de Alice, um romance familiar da classe média

A Casa de Alice (Cinemax, 16h15) é a estréia no longa-metragem do diretor Chico Teixeira. Uma ótima estréia, aliás, de um cineasta que já prometia em curtas como Criaturas Que Nasciam em Segredo. No longa, que traz uma grande atuação da atriz Carla Ribas, Teixeira focaliza um núcleo familiar de classe média baixa. Com todos os seu segredos e conflitos. Mas numa veia discreta, na qual aquilo que se silencia tem às vezes até mais valor do que o que se diz. Carla Ribas vive Alice, dona de casa, mãe de três filhos, casada com um taxista infiel. A mãe (Berta Zemel) também mora com ela. Como se vive nesses espaços exíguos?, pergunta-se o diretor. Não é um retrato da pobreza, mas da vida no limite da sobrevivência decente. No entanto, não é no caráter social da situação e sim sobre o perfil psicológico dos personagens que o diretor se debruça. Alice, óbvio, vive oprimida de todos os lados. Mas tem uma oportunidade de libertação, ou pelo menos de desafogo, quando lhe reaparece um amor de juventude. O filme só é bom porque Teixeira mostra-se simpático o suficiente com seus personagens para deles se aproximar, e agudo o bastante para manter uma distância crítica. Consegue assim um ponto de vista equilibrado sobre esse microcosmo - sem cair no pieguismo ou na ausência de emoção.

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