A busca pela essência, por Andreas Heiniger

O livro Equilíbrio de Dualidades promove reflexão sobre o gênero fotográfico a partir dos pensamentos e das criações do suíço

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

25 de maio de 2009 | 00h00

Sensibilidade e técnica, rigor e intuição, disciplina e transgressão, cor e preto e branco, esforço e leveza, presença e ausência, artificial e natural, essas são oposições que volta e outra aparecem no livro Equilíbrio de Dualidades - Andreas Heiniger, que a Bei Editora acaba de lançar como quinto volume de sua coleção Educação do Olhar (136 págs., R$ 82,50), dedicada à fotografia, arquitetura e às artes plásticas. No caso dessa nova edição, o objetivo é promover o exercício de reflexão sobre o gênero fotográfico por meio dos pensamentos e da trajetória do fotógrafo Andreas Heiniger, que nasceu em Berna, Suíça, em 1949, mas que desde 1974 vive e trabalha em São Paulo. Premiado criador, ele se divide entre fazer trabalhos encomendados na área publicitária (inclusive na direção de filmes) e obras livres. Dualidades, como se vê nesse volume, são, na verdade, alimento que Heiniger usa naturalmente em sua busca pela essência das coisas."É preciso se relacionar com o objeto, perceber o que se pode extrair dele. É claro que dá para fazer uma foto em meia hora - se você tratar da mesma forma uma faca ou uma xícara", diz o fotógrafo em uma das passagens do livro. Em sua trajetória, de mais de 30 anos, ele desempenha, com desenvoltura, tanto um trabalho para uma propaganda de um automóvel, quanto se desloca ao sertão brasileiro para realizar retratos de uma sua série particular e extensa sobre vaqueiros ou de paisagens da Patagônia. "Não é um conflito para mim, cada disciplina é boa para os dois lados", afirma Heiniger ao Estado. Na verdade, a grande questão que se coloca, sempre, é a de conseguir tratar, para cada tema, para cada campo, o tempo particular da fotografia.O volume da coleção Educação do Olhar coloca de maneira clara a naturalidade do transitar de Andreas Heiniger pelas muitas "disciplinas". O livro, de caráter didático, tem um formato interessante: pequeno e retangular - com uma base maior -, dois blocos de páginas devem ser abertos simultaneamente para que a obra seja folheada. O texto, feito por Laura Aguiar a partir de entrevistas realizadas com o fotógrafo, vai se construindo a cada abertura, sendo permeado por reproduções de fotografias de Heiniger que se relacionam com os temas explorados (entre eles, Do Analógico ao Digital, Luz, Composição e Enquadramento) e as três referências que ele tomou em sua carreira (os trabalhos do suíço Fernand Rausser - seu mestre, com quem trabalhou -; do americano Ansel Adams; e do inglês David Hockney).RIGOROSA ECONOMIAComo bem define Laura Aguiar em Equilíbrio de Dualidades, a sofisticação do trabalho de Heiniger reside em uma "rigorosa economia". O fotógrafo não se considera um formalista, mas suas composições são sempre limpas de excessos - "tudo o que se tira, ajuda", afirma ele citando o que Richard Avedon dizia sobre trabalhar "a partir de uma série de ?nãos?".Sua série sobre os vaqueiros, na qual Heiniger se dedica desde 2001, é emblemática nesse sentido. Nesse trabalho - que será publicado em livro pela Bei, em edição com 30 a 50 imagens -, o fotógrafo isola os vaqueiros em retratos posados, em frente a um fundo que ele mesmo leva ao sertão, uma espécie de lona. "Isolo esse homem, reduzo sua imagem à essência, sem ambientação. A paisagem é seu rosto, sua indumentária", diz.

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