A arte sarcástica e contundente de Yang Shaobin

Museu também apresenta exposição com telas de destacado pintor chinês

Maria Hirszman, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

Figura destacada da geração de pintores chineses que vem conquistando o Ocidente nos últimos anos, Yang Shaobin tem uma obra contundente, com grande poder de denúncia, mas também marcada uma ironia sarcástica, que não se esconde de temas polêmicos - excesso consumista, poder invasivo da mídia -, como se pode ver na seleção de pouco mais de 30 telas à mostra no Masp, em sua primeira exposição na América do Sul. Como se poderia esperar, boa parte dos trabalhos, cedidos por colecionadores particulares europeus e asiáticos, pertence à fase normalmente chamada de "vermelha" (associação à cor rubra, sanguínea, que predomina nas telas), com a qual Shaobin participou da Bienal de Veneza em 1999 e que marcou sua grande entrada no cenário internacional.Nesses grandes quadros, veem-se figuras distorcidas, deformadas, derretendo num expressionismo virulento que faz lembrar Francis Bacon e muitas vezes é associada a uma visão crítica ao regime chinês. Shaobin, no entanto, recusa-se a afirmar exclusivamente sob esse ângulo de artista crítico ao sistema - posição que tanto parece agradar à crítica ocidental. Tampouco diz pretender conduzir o olhar do público e que cada um interpreta o trabalho à sua maneira, ao ser indagado sobre a reação provocada em seu país por essas figuras pantagruélicas que parecem derreter como cera.Por intermédio da intérprete - o artista fala apenas chinês -, ele confirma seu desejo de colocar-se criticamente em relação à sociedade contemporânea, mas faz questão de destacar o caráter diversificado de sua produção, marcada por uma atenção crescente em relação às imagens produzidas pelo mundo contemporâneo. Dentre as várias séries que acompanham o artista há alguns anos, e que estão bem representadas na mostra paulistana, encontram-se imagens que ele realiza a partir de cenas captadas diretamente da tela da televisão. Segundo o próprio artista testemunha, em depoimento reproduzido no livro trilíngue lançado agora, o ponto de partida desse trabalho foi o 11 de setembro de 2001. Tereza Arruda, uma das curadoras da mostra, segue na mesma direção ao afirmar que "ele deixa de se concentrar somente no microcosmo de sua existência para visualizar o macrocosmo global".Visualização essa que contempla aspectos diversos como um debruçar - desta vez laudatório - em torno de figuras que despertam sua admiração, como Fidel Castro. Numa sucessão de telas, que remetem à lógica do cartum, ele repinta a cena em que o líder cubano cai. Mas às avessas. Em vez de finalizar a montagem com a queda, ele homenageia Fidel, figurado orgulhosamente erguido ao fim da série, com um velado toque de humor.ServiçoVera Chaves Barcellos: Imagens em Migração. Abertura hoje, 19h30. Até 25/10Yang Shaobin no Brasil: Primeiros Passos, Últimas Palavras. Até 18/10Onde A Água Encontra a Terra. Abertura dia 19/8. Até 11/10Masp. Av. Paulista, 1.578, tel. 3251-5644. 11 h/18 h (5.ª até 20 h). R$ 15 (3.ª grátis)

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