A arrancada final da milionária turnê

Ela faz o hoje o primeiro dos três últimos shows de Sticky & Sweet, que passou pelo Rio alternando bons e maus momentos

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

18 de dezembro de 2008 | 00h00

Chegou a hora dos paulistanos. Como todos os fãs sabem, Madonna aporta hoje no estádio do Morumbi para a série de três shows que encerra a turnê Sticky & Sweet, depois de ter alternado no Rio momentos ruins (com chuva no domingo) e bons (sucesso total na segunda). Com exceção da pista VIP, ainda há alguns ingressos para as três noites em São Paulo. Todos os fãs também já estão carecas de saber o que ela canta e mostra no palco, de tanto que já foi noticiado. Mas para os poucos prováveis desavisados vale lembrar que a estrutura é espantosa. O palco é gigante, os efeitos visuais são absurdamente grandiosos, com variações a cada música, como tem sido nas turnês da cantora. Enfim, nem U2 nem Roger Waters - para ficar só em dois megashows de estádio que passaram por São Paulo nesta década - chegaram a tanto. As imagens projetadas em vários telões de formatos diversos são perfeitas. O som chega nítido e potente a todos os espaços. Veja especial sobre a cantoraOs "video interludes" de Die Another Day (com a atuação de dois bailarinos lutando boxe), Here Comes the Rain Again (emprestada do Eurythmics e com uma animação new age) e Get Stupid (o momento engajado) são meio chatos, bem como parte do bloco "étnico" dos ciganos. Madonna não convence ao cortejar o hip-hop e não se dá bem nas versões de Borderline, Ray of Light e Hung Up (criando um quase anticlímax nas duas últimas), porque, além de não sustentar o vocal em tom alto, rock também não é muito com ela.No mais, é bom não se distrair para não perder os detalhes cênicos, que são muitos, desse imenso e milionário parque de diversões em sound and vision. A seguir alguns tópicos dos momentos mais interessantes - e outros nem tanto:1. A sessão começa com um enorme cubo se abrindo e onde são projetadas imagens animadas por computador, remetendo à linha de produção de uma fábrica de doces. O suspense é forte, o público impactado urra e fica de queixo caído com a festa dos efeitos de som e imagem.2. A entrada de Madonna é solene. Ela surge de dentro do cubo, cuja parede frontal se abre numa estrutura sanfonada e a de trás gira, revelando-a sentada num trono com espaldar em forma de M e empunhando um cetro - sinais de auto-afirmação de seu mito de "rainha".3. Já em Beat Goes On ela dá um "passeio" de carro - um esportivo de luxo Auburn Speedster 851, de 1935 -, que avança pela passarela, enquanto a cantora dá pinta de destaque de desfile de carnaval, causando frisson. Um flash de banal ostentação.4. Uma das melhores performances vem a seguir. É a versão remix de Into the Groove, em que Madonna atravessa o palco em cima do praticável do DJ e pula cordas sincronizadas, em demonstração de fôlego e coordenação motora. O estádio se enche da luz que vem dos coloridos e lúdicos desenhos nos telões.5. Imagens de várias fases da cantora são exibidas durante She?s Not Me, em que ela termina "desmontando" as bailarinas vestidas como clones dela, e em uma das quais - a que está caracterizada com o figurino de Like a Virgin - tasca um beijo na boca, provocando mais gritaria do público.6. Ainda mais sensacional do que Into the Groove é o visual de Music, que simula uma viagem de trem de metrô, onde ela e os bailarinos atuam em meio a coloridos grafites computadorizados. É a "rainha" indo pra "perifa" da metrópole em outro momento de pico do show.7. No fim do bloco com os ciganos romenos - que junta La Isla Bonita, levadas de mambo, passos de flamenco e folk music -, Madonna canta a balada melancólica You Must Love Me (que lembra Love of My Life, do Queen), acomodada bem na frente da passarela e acompanhada apenas de quatro guitarras acústicas, um violino e um discreto acordeon. Apesar da redundância das imagens de gente chorando, o momento intimista é o menos artificial de seu videogame hi-tech, de resto repleto de interações virtuais.8. Em 4 Minutes, ela veste um horrendo figurino com enorme ombreira cintilante, meio Mulher Maravilha, meio jogador de rugby. Compete em mau gosto com a esquisitona peruca de franja que sustenta a partir de Like a Prayer. Parece uma drag queen fazendo cover de Madonna, com ares de Carla Perez, como comentou um empresário no Rio.9. Se você estiver na pista VIP e quiser participar do show, quando ela aponta alguém da platéia para escolher uma música que não está no roteiro, fique do lado direito da passarela, perto do palco. É ali que ela tem feito essas cenas, entre Ray of Light e Hung Up, e os homens são privilegiados. Nessa hora é que melhor se nota que, quando fala alto, sua voz esganiçada se parece com a da Karen de Will & Grace.10. Antes disso tem a "sessão conscientização", um tanto constrangedora, de Get Stupid. O último "video interlude" é uma colagem de cenas reais de fome, destruição, guerra, crueldade com animais, desastres ecológicos, com flashes dos rostos de Nelson Mandela, John Kennedy, Bono, John Lennon, Gandhi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Michael Moore e, claro, Barack Obama. "A gente é mais inteligente do que isso", criticou o mesmo empresário no primeiro show do Rio.11. Missão social cumprida, vem a redenção festeira com o bloco final. Poucos se dão ao trabalho de seguir a "pregação", com as frases de auto-ajuda projetadas no telão em Like a Prayer. A comoção provocada pela canção em si e pelo arranjo arrebatador é o clímax do show. Só não dança quem já morreu. ServiçoMadonna. Menores de 12 e 13 anos somente acompanhados dos pais ou responsáveis. Estádio do Morumbi (60 mil lugs.). Pça. Roberto Gomes Pedrosa, s/n.º, Hoje, sáb. e dom., 20 h. Portões abertos às 17 h. R$ 160/ R$ 300. Nos dias dos shows, ingressos à venda no estádio, de 12 h até início do show

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