A Aposta do Nosso Crítico

Há uma tradição aqui de que a maioria dos filmes vencedores da Palma de Ouro passa na segunda quinta-feira do evento, que começa numa quarta e se encerra no domingo da semana seguinte. Ela pode ter se cumprido mais uma vez. Anteontem à noite passou para a imprensa o filme do palestino Elia Suleiman. O diretor de Intervenção Divina conseguiu de novo. The Time that Remains conta a mesma história de Kedma, de Amos Gitai, só que do ângulo dos árabes.O próprio Suleiman faz esse personagem que, no começo, pega um táxi no aeroporto de volta a Israel e parece ingressar num tempo paralelo. A narrativa recua até 1948, na criação do Estado de Israel, acompanhando seu pai. Suleiman fez um filme crítico, divertido, com uma tristeza que não puxa o espectador para baixo, mas o instiga a pensar. É como se ele quisesse dizer que é um absurdo viver no Oriente Médio e, ao mesmo tempo, estivesse nos dizendo que aquela é sua terra - também dos israelenses - e, portanto, o desejo de ali permanecer é legítimo.Seu filme reinventa o humor de Jacques Tati, que, por sinal, foi homenageado no 62º Festival de Cannes com a versão restaurada de As Férias do Sr. Hulot. O festival termina amanhã à noite. Ainda falta ser exibido o filme de Tsai Ming-liang, Visage (O Rosto). O favorito dos críticos para a Palma é o filme de Jacques Audiard, Un Prophète. A segunda Palma consecutiva para a França, após a de Laurent Cantet, Entre os Muros da Escola? Michael Haneke (Le Ruban Blanc) seria outra bela escolha. Los Abrazos Rotos, mesmo não sendo o melhor Almodóvar, é forte candidato. Uma aposta, na expectativa de que se concretize? O filme de Suleiman.

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