A 2 passos e 4 meses do paraíso chamado Blitz

Ícone dos anos 80, banda deve entrar em estúdio ainda este mês para gravar álbum só de inéditas, que está programado para ser lançado em dezembro

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2008 | 00h00

Em meio a um festival de reminiscências da década de 80 - DVD com imagens de Cazuza em programas de TV, CD com gravações antigas, pré-Legião Urbana, de Renato Russo, caixa dos 25 anos do RPM -, a Blitz, outro ícone daqueles anos, mostra que não quer mais (apenas) olhar para trás. Depois do CD/DVD Ao Vivo e A Cores, do ano passado, com clássicos blitzianos como Betty Frígida, A Dois Passos do Paraíso e Você Não Soube me Amar, Evandro Mesquita e sua turma estão preparando um disco só de inéditas. A banda está na fase de pré-produção das músicas, e deve entrar em estúdio ainda este mês. O CD - que possivelmente se chamará Skut Blitz (skut = escute) e sairá em dezembro ou em janeiro - terá parcerias novas, com gente como Erasmo Carlos, Leoni, Pato Fu e o baiano Marcio Melo. "Abrimos o leque, mas sem perder a originalidade e o suingue da Blitz", disse Evandro ao Estado, por telefone, na semana passada. Da leva recente, cita Procura-se Um Herói (sua com Luie): "Apertem os cintos/ Perdidos na trilha/ Vamos botar uma pilha e tirar/ Esses carecas de Brasília/ Muita corrupção/ Só dá ladrão/ Com a mão no nosso bolso/ Que desilusão!" Baseado em Clarice (Evandro/Rogério Meanda) é bem ao estilo que consagrou o grupo carioca: "Tudo começou/ Quando eu ajudei a carregar a sua mala/ Ela disse: Obrigada!/ E eu: Tudo bem... A gente se fala!/ Antes que eu saísse ela disse: Meu nome é Clarice."Diz a letra da música Vida Mansa (Evandro/Marcio Melo): "A vida me fez viver assim/ Tudo que eu quero é você pra mim/ Aonde você mora?/ Em que você trabalha?/ Quem você namora?/ Me diz onde cê malha/ A vida é um desfrute/ Me aceita em seu orkut." "Continuamos a fazer crônicas do cotidiano", contou o vocalista.A formação atual da banda tem Billy Forghiery nos teclados, Juba na bateria - ambos da Blitz de 25 anos atrás -, Andrea Coutinho e Luciana Spedo nos vocais, Rogério Meanda na guitarra e Claudia Niemeyer no baixo (ela tocou com a Blitz ainda na formação que tinha Lobão na bateria, e depois saiu), além de Evandro na guitarra, violão e vocais. "É a melhor formação. A energia do dia-a-dia é sensacional. Todo mundo está contente. Não tem mais crises de egos", acredita o eterno garotão, que ainda tem o maior prazer de se jogar na estrada. Nos shows, é claro que não ficam de fora hits do naipe de Weekend e Mais Uma de Amor (Geme, Geme). Mas revisitá-los em disco, não mais - ao que parece. "Fechamos esse ciclo. A gente já passou por esse caminho. Agora o que interessa é o presente e o futuro próximo. A banda está com uma pegada surpreendente. Não fazemos um showzinho retrô", garante o cantor/ator. "Mas claro que tenho o maior prazer de tocar os clássicos. Os Stones vêm aqui e tocam Jumping Jack Flash, Honky Tonk Women, Bob Dylan também, U2... Tem uma garotada descobrindo a Blitz, e eles botam lenha nessa chama."

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