676 novos romances são lançados na França

Indicados para prêmios, como o Goncourt, definem temporada como um dos maiores eventos europeus

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

23 de setembro de 2008 | 00h00

A chance de pesquisar uma obra obscura nas estantes de uma livraria de Paris sem ser acotovelado ou de perder escritores, críticos literários ou editores explicando, analisando ou promovendo seus romances em um programa de televisão ou de rádio na França caiu muito nesta semana, durante a Rentrée Littéraire. O evento, um dos mais importantes acontecimentos culturais da Europa, marca o início do ano editorial francês. Até outubro, mais de seis centenas de novos romances serão lançados.A quantidade dos novos títulos vendidos é imensa, mas a lista dos que primam pela qualidade já começa a ficar mais restrita. Quatro dos mais importantes prêmios literários da França anunciaram seus pré-indicados até sexta-feira passada. Na terça, dia 9, a Academia Goncourt apontou seus favoritos. Seguiram-se o Prêmio Médicis, o Renaudot e o Femina. A rentrée - do francês, expressão que indica "retorno", referência ao fim das férias de verão - é um evento cultural de dimensão maior na Europa. A cada ano, um número crescente de autores e editores lança no mercado editorial francês suas maiores chances de sucesso na língua de Molière. Em 2008, nada menos de 676 romances estão chegando às livrarias, dos quais 466 em francês e 210 em idiomas estrangeiros. O balanço em relação à edição do ano passado aponta redução de 7% no número de lançamentos - o que não significa crise no setor. Pleno de forças, o mercado do livro na França cresceu 10% no ano, segundo levantamento do instituto Ipsos Cultura, e segue sendo referência internacional na era da internet e do e-book.Os lançamentos da rentrée, iniciados em agosto e que se estendem até outubro, também confirmam a sede do público local pelos novos autores. Neste ano, 91 romances são obras de debutantes no gênero. Um deles tem a chance de repetir o sucesso do escritor franco-norte-americano Jonathan Littell, há dois anos laureado com o Prêmio Goncourt por seu romance de estréia, o ultrapolêmico As Benevolentes. Trata-se de Jean-Baptiste Del Amo, autor de Une Éducation Libertine (Gallimard), desde já recomendado pelo título do Prêmio Laurent-Bonelli/Lire e pela indicação para o Médicis. Inebriante, o romance se passa na Paris infecta pré-revolução, em 1760 e narra a trajetória de Gaspard, um jovem que descobre a sexualidade hetero e homossexual - e como se valer dela, sem profundos lamentos morais -, prostituindo-se até ingressar no universo aristocrático do reino decadente.Ao lado deste, a lista da Academia Goncourt traz obras que pouco penetraram na mídia, como Syngué Sabour (POL), de Atiq Rahimi, e prováveis best-sellers como Jour de Souffrance (Flammarion), de Cathérine Millet. Sua tiragem, 120 mil, é até o momento a segunda maior da rentrée, e tende a seguir crescendo: a obra é indicada para o Goncourt e o Femina. Un Chasseur de Lions (Seuil), de Olivier Rolin, e Là Où les Tigres Sont Chez Eux (Zulma), de Jean-Marie Blas de Roblès, também são apostas, não apenas para o Goncourt e para os demais prêmios, mas ainda para grandes vendas. Junto da rentrée, também tem início na França a temporada de assédio dos editores sobre livrarias, críticos e programas de TV dedicados à literatura - sim, eles existem. Neste ano, 98 editores lançarão volumes entre agosto e outubro, com destaque para as grandes "maisons d?édition", como Gallimard, Grasset, Fayard, Flammarion e Le Seuil. A busca não é apenas por vendas, mas pela conquista de um holofote que permita a seus autores deixar a obscuridade em meio às seis centenas de lançamentos. A mais bem-sucedida até aqui tem sido a editora Gallimard. Cinco de seus 18 novos romances estão entre os 15 indicados para o Goncourt.A temporada de premiações começa em 30 de outubro, com o Grande Prêmio da Academia Francesa, e chega ao auge com o anúncio do vencedor do Goncourt, previsto para 10 de novembro. Os Indicados Para O GoncourtJEAN-BAPTISTE DEL AMO, por Une Éducation Libertine SALIM BACHI, Le Silence de Mahomet CHRISTOPHE BATAILLE, Le Rêve de Machiavel MATTHIEU BELLEZI, C?Était Notre Terre JEAN-MARIE B. DE ROBLÈS, Là Où Les Tigres Sont Chez Eux CATHERINE CUSSET, Un Brillant Avenir JEAN-LOUIS FOURNIER, Où On Va, Papa? VALENTINE GOBY, Qui Touche À Mon Corps Je le Tue ALAIN JAUBERT, Une Nuit À Pompéi MICHEL LE BRIS, La Beauté du Monde CATHERINE MILLET, Jour de Souffrance PATRICE PLUYETTE, La Traversée du Mozambique Par Temps CalmeATIQ RAHIMI, Syngué SabourOLIVIER ROLIN, Un Chasseur de Lions KARINE TUIL, La Domination

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