5minutos com Tony Bellotto

O detetive Bellini sai de cena e dá lugar a insones no novo livro do músico e escritor. Será lançado amanhã na Bienal do Rio e dia 27 na Livraria Cultura, em Sampa1. De onde vem Os Insones? O que me inspirou foi a realidade e o excesso de informações esquisitas, violentas e emocionalmente fortes do que acontece no País e que no Rio, onde moro, aparecem muito mais. São notícias do jornal, essa terrível diferença social, os crimes e uma classe média alienada e acuada. 2. A temática é esgotada, não?Total, principalmente no cinema e na TV. Está nos livros jornalísticos, mas na literatura ficcional, não. Inspirado no guerrilheiro moçambicano Samora Machel, inventei o Samora, um negro criado em escola britânica. Os pais são separados, a mãe dele casa com um inglês e ele vai à favela para começar um ativismo meio maluco. Com esse personagem, penso que deixou de ser manjado. O livro é um elogio à rebeldia.3. Além de Samora, quem são os outros personagens?São narrativas paralelas, mas com ligações. Tem um sujeito de meia-idade, separado, que procura a filha desaparecida; tem um cara das Farc que vem ao Brasil negociar drogas. Percebi que todos eles tinham razões para sofrer de insônia, uma expressão do medo e da angústia. Daí, o título.4. Bellini se aposenta?Amo fazer personagens que aparecem várias vezes, só que não quero ficar preso ao Bellini. Fico meio saturado e tenho vontade de escrever coisas diferentes. Ele deve voltar, mas por enquanto está ausente, vivendo um pouco para poder contar outras histórias... hahaha. O personagem permite isso, o que não acontece no novo livro, já que a trama começa e termina nela mesma.

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