5 minutos

5minutos com Gerald Thomas O diretor teatral, radicado em NY, chega ao País para soltar o verbo num workshop free no Sesc Consolação, de 30 de julho a 3 de agosto. Aqui, na coluna, um chill in para a conversa1. Como define a situação do teatro atualmente?Plena decadência. Digo, em termos criativos. Tenta-se (através de artifícios, os mais esdrúxulos) chegar a novos caminhos, porém sem resultados. Esses caminhos eram eventos entrópicos naturais nas épocas de Kantor, Pina, Bob Wilson, Grotowski, Brook e de toda uma leva de experimentalistas do East Village como o Mabou Mines, Wooster, Ping Chong, Talking Band e Foreman. As pessoas estão desesperadas atrás de dinheiro, fórmula e um crítico que os endosse: então fica tudo com cara de Cirque Du Soleil ou Blue Man Group, estacionado em fila no Public Theater... uma desgraça. Coitados daqueles que lutaram por criatividade e contra-mão. Foi-se.2. Nos seminários, você aborda a temática Interpretação X Representação...Espere sair o meu livro, Suicide Note, que explicará quais os atores que interpretam aquilo que sentem e os que representam (assim como um embaixador representa um país) o que aprendem de um texto. Tem muito ego no meio, carisma e coisas que serão workshopadas semana que vem... Isso se aeroportos, governo e controladores de vôo permitirem.3. Você estuda um método diferente do stanislavskiano e do grotovskiano. Explique... Escrevo para o ator com quem irei trabalhar. Não chamo ninguém de Mr. Higgins ou Tio Vânia e não acredito nessas besteiras. No meu palco, o João é João, e a Maria é a Maria e assim se dá a metalinguagem. Assim foi com o Julian Beck morrendo de verdade em That Time. Todo mundo sabia que Julian estava com câncer terminal. Era não somente comovente, mas uma experiência radicalmente theater-verité. 4. De que maneira se deve dar a integração do ator à literatura comparada, à filosofia e à história? O ator tem que saber tudo e tudo mais. Hoje, cada vez mais vazios e em busca do sucesso rápido, precisam ser preenchidos por questões explicadas através de um fenômeno nada entrópico que é o fato de já estarmos no planeta há milênios e que não nascemos ontem, como tantos cursinhos de teatro imbecis tentam fazer crer por aí.

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