5 mil m² para arte de Ernesto Neto

Em NY, carioca ocupa sozinho pavilhão de novo espaço onde exibe anthropodino, sua maior e mais complexa obra

Tonica Chagas, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

Primeiro artista convidado a ocupar sozinho os 5 mil m² do pavilhão principal na antiga sede do 7º Regimento da Guarda Nacional, na Park Avenue, em Manhattan, o carioca Ernesto Neto foi levado pelo tamanho do lugar e criou anthropodino, a maior e mais complexa obra produzida por ele. Feito de tecido elástico transparente e madeira, lembrando tanto o esqueleto de um dinossauro como a estrutura de um neurônio em megaproporções, anthropodino ocupa o centro do pavilhão, se espalha no solo por cerca de 60 metros por 30 e é coberto por um dossel de onde escorrem estalactites com as pontas recheadas de temperos e mais de 20 metros de altura. A obra é uma combinação da que ele fez quando representou o Brasil na Bienal de Veneza, em 2001, com uma mais recente, inspirada na interação entre adultos e crianças num fim de tarde em sua casa. A primeira era uma grande instalação penetrável com referência direta ao útero materno; a outra tinha como base uma série de brinquedos de montar. Com labirintos internos sinuosos que fazem alusão ao corpo humano, anthropodino tem na parte exterior uma piscina de bolinhas e um sofá circular imenso, convites explícitos para o espectador, de qualquer idade, experimentar e interagir com a obra. A instalação foi aberta ao público ontem e poderá ser vista até 14 de junho. Amanhã, Neto vai falar com o público sobre seu trabalho e cinco professores de arte vão orientar os visitantes a explorar os aspectos táteis, espaciais e orgânicos da escultura. A instalação foi comissionada para inaugurar um programa anual da Park Avenue Armory, organização criada há dois anos para revitalizar o prédio, construído entre 1877 e 1881, transformando-o num espaço de arte. O antigo pavilhão para treinamento militar onde Neto instalou anthropodino é um dos maiores vãos livres internos de Nova York.A construção do prédio de arsenal da Park Avenue foi financiada pelo próprio 7º Regimento da Guarda Nacional, a primeira milícia de voluntários a atender o pedido de formação de tropas do presidente Abraham Lincoln, em 1861, para combater os confederados na Guerra Civil americana. Na época em que foi formado ele era chamado de "regimento meia de seda" porque muitos dos seus integrantes vinham das famílias mais ricas de Nova York, como os Vanderbilts e os Roosevelts. Meio quartel e meio clube social, a sede do 7º foi desenhada e decorada pelos designers americanos mais famosos do fim do século 19. O prédio serviu como centro de comando da Guarda Nacional após os ataques terroristas de setembro de 2001. Em 2006, a Seventh Regiment Armory Conservancy conseguiu que o governo lhe passasse o controle do edifício e deu início ao plano de restaurá-lo e revitalizá-lo, com investimento de US$ 150 milhões.

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