36 minutos para conhecer e se apaixonar pelo jongo

Curta de Beatriz Paiva reverencia som afro-brasileiro cultuado no Morro da Serrinha e um de seus defensores, Mestre Darcy

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2022 | 00h00

Ritmo considerado um ancestral do samba, o jongo ainda é pouco conhecido no Brasil - mesmo no Rio, onde é transmitido às novas gerações por um grupo do Morro da Serrinha, na zona norte da capital. Agora, o som de origem afro-brasileira, um misto de música, dança e elementos religiosos, difundido entre escravos e seus descendentes, está sendo apresentado no DVD Jongo na Serrinha - Um Tributo a Mestre Darcy.Trata-se de um documentário (distribuído pela Rob Digital) que conta as origens do jongo, mostra suas canções e presta justa homenagem ao compositor, cantor e percussionista que, na segunda metade do século passado, lutou para preservá-lo e ensiná-lo aos jovens. O média-metragem, de 36 minutos, dirigido por Beatriz Paiva, ganhou o terceiro lugar na categoria melhor filme sobre música do Park City Music Film, festival independente americano.Encantada com o universo do jongo, a documentarista concluiu que seria mais fácil divulgá-lo em um DVD, em vez de tentar levá-los aos cinemas. ''''A possibilidade de distribuição em salas é pequena. Então comecei a fazer filmes e lançá-los em DVD'''', explicou, referindo-se a documentários sobre o samba e a Floresta da Tijuca. ''''O DVD é uma mídia fantástica e liberta.''''De fato, no DVD dedicado ao jongo coube muita coisa: 12 músicas, sendo 5 inéditas, letras, fotos e ainda um dicionário banto (de línguas africanas), para que os termos usados pelos compositores possam ser compreendidos. O curta mostra rodas tradicionais de jongo, depoimentos de jongueiros de todas as idades, artistas envolvidos pelo ritmo, como Sandra de Sá e Beth Carvalho, e gente que conheceu Mestre Darcy.Ele é descrito como uma figura especial, que tomou para si a missão de não deixar o jongo morrer. Nascido em 1932, Mestre Darcy, criou, nos anos 60, com a mãe, um grupo cultural sem o qual, possivelmente, a cultura jongueira teria se perdido. O músico levou a música e a dança, até então restrita aos quintais, a palcos além-morro. E modernizou o ritmo, introduzindo novos instrumentos e tornando-o mais atraente aos jovens. ''''Ele teve a percepção histórica. Foi um obstinado, acreditou na tradição'''', destaca Beatriz.Com legendas em inglês, o DVD, resultado de um ano e meio de pesquisa, revela a relação entre o jongo e as religiões africanas e exibe belas imagens de jovens aprendendo a valorizar o jongo desde cedo. Elas recebem lições de ícones como Tia Maria do Jongo (uma das fundadoras da escola de samba da Serrinha, o Império Serrano). Hoje, é Tia Maria quem, aos 85 anos, comanda as apresentações dos jongueiros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.