2009 vai celebrar a obra de Euclides da Cunha

No centenário de sua morte, autor de Os Sertões ganha exposições e volume atualizado de seus escritos

, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Um dos eventos que vai marcar o próximo ano literário será a lembrança dos 100 anos de morte de Euclides da Cunha (1866-1909), autor do clássico Os Sertões. A data exata é 15 de agosto, quando o escritor, sociólogo, repórter do Estado, historiador e engenheiro foi morto pelo jovem tenente Dilermando de Assis - Euclides chegou armado à casa do militar disposto a matar ou morrer em nome da honra, uma vez que sua mulher, Ana de Assis, abandonara-o pelo tenente. Campeão de tiro, Assis, no entanto, alvejou-o primeiro.O escritor será o principal homenageado em 2009 pela Academia Brasileira de Letras, como anunciou o presidente da entidade, Cícero Sandroni, reeleito para mais um ano no cargo. Na quinta-feira, quando tomou posse, ele comentou que a ABL dedicará grande parte de sua programação cultural à escrita de Euclides. "Vamos montar o que pretendemos que venha a ser a maior exposição em torno de sua obra monumental, Euclides Vive!", disse. "Também organizaremos ciclos de palestras, edições e visitas guiadas, a fim de exaltar um intelectual cujo livro principal (Os Sertões) representa um marco na vida mental do Brasil."A Nova Aguilar lançou a primeira Obra Completa de Euclides da Cunha em 1966. O volume, porém, trazia uma série de defeitos, especialmente ortográficos. Era o caso, por exemplo, de À Margem da História, livro publicado meses depois da morte do escritor e que traz alguns textos dentre o que de melhor já se escreveu sobre a Amazônia e sobre o País - alguns vocábulos apareciam no livro ou grifados ou com ortografia estrangeira, como era comum no tempo de Euclides."Um dos principais trabalhos que executamos na consolidação do texto é sua atualização ortográfica", comenta o editor Sebastião Lacerda, atento às novas regras que entram em vigor no próximo ano, buscando uma aproximação com a língua portuguesa falada por outros países lusófonos.A checagem inclui ainda confrontar o texto disponível com as edições mais antigas, especialmente as que foram revistas pelo autor. "Inicialmente, sempre desconfiamos da veracidade dos escritos que temos à mão", comenta Lacerda. A experiência ratifica tal necessidade - quando preparavam a edição da obra completa de Aluízio Azevedo, por exemplo, os pesquisadores constataram que os livros disponíveis traziam trechos truncados. "Logo percebemos que faltavam frases e, em casos mais graves, até parágrafos originais."Além de estabelecer o texto completo de acordo com o original, as edições da Nova Aguilar resistem mais à ação do tempo e do manuseio por um único motivo: seu papel-bíblia. "É o que sobrevive mais", conta Lacerda, que não se preocupa com os comentários sobre o preço salgado de cada edição. Para ele, quem normalmente busca os volumes da editora são leitores fiéis, que conhecem a obra do autor e, portanto, não se intimidam com o valor.

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