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1932, o ano em que Pablo Picasso quis provar que era o 'maior artista vivo'

Mostra em Paris revê a intensa produção do artista espanhol naquele ano

Anna Pelegri, Associated Press

26 Dezembro 2017 | 06h00

PARIS - Com duas grandes exposições em 1932, Pablo Picasso quis mostrar ao mundo que era “o maior artista vivo”, pintando furiosamente quadros em apenas um dia, com a facilidade do gênio. Quem afirma é a curadora de uma mostra em Paris sobre a produção do artista naquele ano. 

A exposição Picasso 1932, Ano Erótico, em exibição até 11 de fevereiro no museu que leva o nome do pintor, vai em março a Londres, onde a Tate Modern dedicará ao mestre espanhol sua primeira exposição monográfica sob o título Picasso 1932, Amor, Fama, Tragédia.

Naquele ano, em que Picasso fazia 51 anos, sua agenda destacava dois grandes acontecimentos: uma exposição na galeria parisiense Georges Petit, em junho, e outra no museu Kunsthaus, de Zurique, em setembro.

Picasso “queria oferecer o máximo de obras ao público, provar que era o maior artista vivo”, disse a curadora Virginie Perdrisot. Procurava também superar Henri Matisse, atração do ano anterior na Georges Petit. Sua meta era ser “maior, mais forte, mais colorido” que o pintor francês. 

A essa obsessão por brilhar juntou-se o forte impulso sexual que ele tinha pela amante, Marie-Therèse Walter, de quem fez a musa de seus quadros mais ousados. Ele criou então obras de grande porte com fartura de seios, pênis e púbis nas quais Marie-Thèrese posava nua numa poltrona, com representações explícitas de órgãos sexuais e traços fortes e cores estridentes. 

Duas obras-primas raramente expostas em público, O Sonho e O Descanso – esta, mais tendente ao surrealismo pela fragmentação das formas da modelo –, exemplificam bem o desejo sexual de Picasso. Há ainda Mulher em Frente ao Espelho. O quadro, um universo saturado de cores e formas sobrepostas, alude a grandes obras de Velázquez, Manet e Ingrès e mostra até que ponto Picasso criou naquele ano, inscrevendo sua obra na história da arte e provando, com o disse a curadora, que ele era “capaz de tudo”.

A exposição traz metade das 300 obras criadas por Picasso em 1932 e, apesar de seu envolvimento com as duas famosas mostras, Picasso não foi à inauguração de nenhuma delas. 

Uma vez cumprida sua “missão”, no segundo semestre de 1932, o artista sentiu que nada mais tinha a mostrar e passou a dedicar-se a obras de menor porte e mais contemplativas. Marie-Thèrese, com quem teve um filho em 1935, separando-se da mulher, Olga, continuou a inspirar o artista. A exposição 1932, Ano Erótico é aberta com um cartão de visita do marchand Paul Rosenberg desejando ao artista um excelente 1932 e se encerra com um artigo do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, no qual aponta uma tendência de Picasso à esquizofrenia.

TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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