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Zuenir, Verissimo e o tempo

Ubiratan Brasil

09 de dezembro de 2010 | 14h54

  Na noite de quarta-feira, acompanhei à última edição deste ano do projeto Sempre um Papo, bravamente comandado pelo Afonso Borges há 24 anos. Dessa vez, reuniram-se Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura, sob a mediação do Afonso. O motivo era o lançamento do livro Conversa Sobre o Tempo (Agir), transcrição da conversa entre os dois escritores-jornalistas, comandada por Arthur Dapieve. Trata-se de um projeto da Agir, reunir autores cujo papo possa render um livro – o próximo deverá ter o encontro do Frei Beto com o físico Marcelo Gleiser.

Zuenir e Verissimo se conhecem há muito tempo, criando uma camaradagem já cristalizada. E, mesmo não havendo praticamente nenhuma discordância entre eles, a conversa sempre é agradável. Ambos confessaram, por exemplo, a indisposição para escrever – Verissimo preferia ser músico, enquanto Zuenir gosta mais de ler.

Também revelaram suas suspeitas sobre a recente ação policial carioca no Complexo do Alemão – “por que agora e não antes?”, questionou Verissimo. “Teremos finalmente a cidadania implantada lá?”, completou Zuenir. Ambos, no entanto, aprovaram os resultados.

Os amigos falaram também sobre a finitude da vida, um dos temas, aliás, tratados no livro. Zuenir, que completa 80 anos em 2011 com invejável disposição física e intelectual, garante não ser saudosista, não gosta de viver do passado, tampouco se preocupa com o futuro. “Meu tempo é o agora”, disse. Já Verissimo não escondeu um certo temor com o avançar da idade (faz 75 em 2011, também com admirável estado de espírito), embora também não se afunde em nostalgia. Ambos pareceram dois senhores muito bem resolvidos, dispostos agora a curtir as netas. “Gosto de imaginar como será Lucinda no futuro, especialmente na época em que não estarei mais por perto”, disse Verissimo.

Foram duas horas deliciosas, com muito bom humor e perspicácia. O mesmo clima que marca o livro Conversa Sobre o Tempo que, aliás, recomendo a leitura para quem gosta de boas reflexões e lembranças. Verissimo, aliás, comenta sobre seu pai, Erico, um tema que poucas vezes eu o vi tratar publicamente. Só por isso, valeria a pena.

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