Vitor Rocha estreia o musical ‘Se Essa Lua Fosse Minha’, depois do sucesso de ‘Cargas D’Água’
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Vitor Rocha estreia o musical ‘Se Essa Lua Fosse Minha’, depois do sucesso de ‘Cargas D’Água’

Ubiratan Brasil

03 de abril de 2019 | 13h08

Depois de consagrado como a revelação do musical brasileiro do ano passado pelo belo trabalho em Cargas D’Água – Um Musical de Bolso, o ator, autor e diretor Vitor Rocha pretende mostrar que as premiações não foram um fato isolado. Para isso, vai estrear, em maio, o musical Se Essa Lua Fose Minha, em parceria com Elton Towersey. A data exata e o elenco ainda não foram divulgados, mas é certo que o espetáculo inicia temporada no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda.

Dupla. Elton Towersey e Vitor Rocha: parceria em novo musical. Foto Victor Miranda

Trata-se de um desafio e tanto, pois Vitor buscou inspiração no poema Ismália, que aprendeu quando, na escola, estudava o Simbolismo na literatura portuguesa. Escritos por Alphonsus de Guimaraens (1870-1921), os versos de Ismália trazem as principais características daquela corrente literária que, em oposição ao parnasianismo, apostava em uma linguagem simbólica, buscando referências no mundo espiritual e metafísico.

Assim, a poesia expressa a dualidade entre corpo e alma, ou seja, o desejo do homem em unir matéria e espírito. “Quando Ismália enlouqueceu, / Pôs-se na torre a sonhar… / Viu uma lua no céu, / Viu outra lua no mar”, são os primeiros versos, que já revelam o desespero da protagonista que, incapaz de promover aquela união, decide-se pela morte.

A partir desse material, Vitor parte da história de amor entre Leila e Iago para tratar de temas delicados, como preconceito. E, como já vem se tornando sua marca, o texto utiliza ditos populares, lendas e cantigas folclóricas.

A trama acompanha a trajetória de um povo que, saído de Terrarrosa, uma província da Espanha, navega pelo oceano em busca de um lugar até chegar na terra de Porto Leste, uma ilha situada no encontro das águas quentes e com as frias. O problema é que já existe um povo morando lá. Aos poucos, a convivência revela-se conflituosa pois é grande a diferença de crenças e culturas entre as duas civilizações.

Assim, uma divisão revela-se indispensável, o que acontece quando uma linha é traçada no chão para dividir os cidadãos. Convenções geográficas, porém, não são suficientes para acabar com o amor entre Leila e Iago, cada um vivendo em um lado da linha fronteiriça. Há lembranças shakespearianas no enredo, mas como acontece na literatura ibérica e também do sertão mineiro e nordestino (fontes de saber de Vitor Rocha), os mitos surgem para serem desmantelados.
Vitor e Elton contam que se completam na criação artística, pois um é mais chegado na escrita enquanto o outro adora compor. Da união de talentos, nasceu uma parceria em que ambos parecem fazer tudo, mas sempre precisando do talento do outro.