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Vermelho

Ubiratan Brasil

01 de abril de 2012 | 21h46

Já que falei de grandes interpretações, e aproveitando para fugir um pouco dos musicais, fiquei realmente tocado com o trabalho de Antonio Fagundes e Bruno Fagundes em Vermelho. Dirigidos por Jorge Takla, eles conseguem um feito raro, que é se apoiar em um texto excepcional (uma análisa amarga e, ao mesmo tempo, apaixonada da arte) sem ultrapassar o limite do luminoso, ou seja, não vão além, querendo que o texto não passe de um trampolim para seu exibicionismo, nem ficam reféns desse mesmo texto, evitando os próprios recursos oferecidos pela dramaturgia por se sentirem intimidados.

Antonio e Bruno executam o duelo verbal de mestre e aluno com muita precisão, fazendo mesmo quem não conhece arte com intimidade ficar conectado com aquele confronto de gerações. A arte de Rothko, o pintor retratado em Vermelho, ficou, a despeito da pop art. O mesmo deverá acontecer com o trabalho de Antonio e Bruno, interpretações marcantes porque revelam a alma.

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