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Uma casa paulistana para “Hair”

Ubiratan Brasil

19 de dezembro de 2010 | 19h18

Eu soube nesses dias que a produção do musical “Hair”, que considero o melhor de 2010, não deverá estrear no Teatro Bradesco, em São Paulo, em março, como se pretendia. O espaço acabou reservado para outro musical, “New York, New York”, que será dirigido por José Possi Neto – aliás, eis um assunto que pretendo descobrir mais detalhes e trazer para este espaço.

Com isso, “Hair” terá de encontrar outra casa que o abrigue. O que não tem sido fácil, pois os palcos paulistanos (ao menos, os de no mínimo boa qualidade) vivem com o calendário lotado, deixando algumas produções na esperança de surgir uma brecha inesperada.

E um musical não pode ser apresentado em uma casa qualquer – é preciso, no mínimo, um espaço confortável para abrigar elenco e cenários e, principalmente, de um lugar reservado para a orquestra. Essa falta de espaços adequados obriga, em alguns casos, que os músicos fiquem escondidos, atrás do cenário, surgindo para o público apenas ao final do espetáculo. Isso acontece no Rio e em São Paulo – lembro, por exemplo, de ter assistido “O Despertar da Primavera” no Teatro Villa-Lobos, no Rio, e no Sérgio Cardoso, em São Paulo, e ambos não têm fosso para orquestra. É uma pena pois o som ganha uma vitalidade única quando produzido naquele espaço em que, normalmente, só conseguimos enxergar a cabeça do maestro e, de vez em quando, suas mãos regendo. E, convenhamos, os músicos são tão importantes quanto o elenco em um musical. 

Precisamos de mais espaços adequados para musicais, no Rio e em São Paulo, onde esses espetáculos são montados com mais frequência. E chega de casas de shows adaptadas – ali, o espaço é para shows, no qual o vaivém de garçons e o irritante som de tilintar de talheres e abrir de latas de cerveja e refrigerante são quase suportáveis. Um musical exige a mesma concentração de qualquer outra peça teatral, não pode ser menosprezado ou tratado como um espetáculo musical.

Logo teremos novos espaços na região da Funarte, em São Paulo, com a abertura de salas teatrais ao que parece muito bem equipadas. Logo trarei mais novidades, mas aparentemente nenhuma dela se prepara para receber musicais. Essa mentalidade tem de mudar.

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