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Traduções

Ubiratan Brasil

12 de novembro de 2010 | 12h22

Com direito a vários bocejos de João Ubaldo Ribeiro, aconteceu na noite de quinta-feira um interessante debate sobre tradução durante o Fórum das Letras, em Ouro Preto. A proposta era discutir a relação dos escritores com seus leitores estrangeiros. Ubaldo é um dos autores contemporâneos mais traduzidos no Brasil, com livros publicados em mais de 20 países. Ele debateu ao lado de outro escritor bem traduzido, Márcio Souza, e também com Carmen Villarino, da Universidade de Compostella, e Rita Godet, da Universidade de Rennes.

Ubaldo contou que não se preocupa com uma possível tradução do livro que está preparando. Mas reconheceu que impõe dificuldades  para quem vai traduzir. Aliás, sentiu isso na pele: quando decidiu traduzir ele mesmo Viva o Povo Brasileiro, ficou emperrado em determinadas expressões tipicamente nacionais. O escritor baiano contou ainda que a Alemanha é o país que mais se interessa pela sua obra. “Mas tenho preguiça em saber que o leitor estrangeiro pensa da minha obra”, disse.

“Eu também não me preocupo se o leitor holandês vai entender minha escrita”, comentou Márcio Souza, que apontou um dado interessante. “O ideal é ser primeiro traduzido na língua inglesa, especialmente por alguma editora dos Estados Unidos – assim fica mais fácil despertar algum interesse das editoras europeias.”

Márcio revelou ainda sobre sua vorcidade ao escrever. “Tenho um prazer muito grande, só assim consigo contar minhas histórias”, disse. “Mas tenho de me controlar, pois escrevo muito e se, não me cuidar, acabo me transformando em uma pororoca literária.”

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