Teatro Municipal vai receber três filmes da Mostra de Cinema de São Paulo
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Teatro Municipal vai receber três filmes da Mostra de Cinema de São Paulo

Ubiratan Brasil

24 de agosto de 2019 | 14h33

Uma das novidades da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo vai ser a exibição de filmes em três dias diferentes no Teatro Municipal. Realizadas em parceria com a Spcine, as exibições ocorrerão nos dias 18, 19 e 20 de outubro.

O longa que vai abrir a mini programação, no dia 18, será A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, adaptação do livro homônimo de Martha Batalha e vencedor do prêmio máximo da mostra Um Certo Olhar no último Festival de Cannes.

Cena do filme de A Vida Invisível. Foto Bruno Machado

A programação prevê exibições à tarde, com títulos selecionados em parceria com a Spcine, e à noite, com filmes inéditos da curadoria do evento. Essas sessões serão especiais, abertas ao público e com a presença da equipe dos longas.

A Mostra vai acontecer entre os dias 17 e 30 de outubro e terá ainda importantes eventos paralelos, como o lançamento do livro Efratia Gitai: Cartas. Trata-se da correspondência enviada ao cineasta Amos Gitai por sua mãe, Efratia. Isso aconteceu nos anos 1960, quando ela decidiu estudar psicologia na França. Para isso, o menino Amos, então com 10 anos, foi enviado para um kibutz.

A fim de encorajar o garoto, sua mãe lhe escreveu uma série de cartas em que o tratava como adulto. “Fiquei muito triste por você sentir muita falta de mim”, escreveu ela, em certa carta, aqui em tradução livre. “Meu querido… nós dois somos ‘Shmutzniks’ (membros do movimento jovem de esquerda Hashomer Hatzai) – muito amorosos e muito dependentes do amor. Embora isso seja lindo, eu não gostaria que você se parecesse comigo. É natural uma mãe amar seu filho e sentir muita falta dele, mas o filho tem que amar menos a mãe. Ele tem que ser imune, forte, um homem – certo? Não pensar tanto em sua mãe: deve trabalhar, estudar, não olhar demais para as pessoas e não depender de suas reações. Deixe que elas digam o que querem, que façam suas coisas e eu farei as minhas…”

À imprensa israelense, Amos comentou, em 2011: “Eu era um menino de Haifa que havia crescido no bairro de Carmel (bairro da cidade), e de repente eu estava na situação de ser um estranho dentro de uma sociedade opressiva. As pessoas que estavam cuidando de mim eram maravilhosas, mas ser um outsider em um kibutz não é simples, eu diria que este foi o período mais importante na formação da minha personalidade.É difícil suportar situações em que todos concordam com tudo, então eu vou na direção oposta”.

O livro foi originalmente publicado em 2010, na França, e no ano seguinte, em Israel. Aqui, será lançado pela Ubu.

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