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Satyrianas

Ubiratan Brasil

19 de novembro de 2010 | 11h34

Na próxima semana, acontece um evento que já se tornou da cidade: o Satyrianas, conjunto de apresentações teatrais de mini textos que avança madrugada, uma maratona com muitas subidas e descidas. Sim, como é de se esperar, há peças muito interessantes, outras nem tanto. Ou ainda, há montagens inteligentes, que souberam aproveitar o que oferece o texto como também há verdadeiras viagens promovidas pelos diretores que não chegam a lugar algum.

Eu já presencei um pouco de cada um daqueles tipos. É muito bom descobrir pequenas joias, como também é animador saber que, em alguns casos, os textos são curtos e a agonia não vai durar muito.

Li antecipadamente um texto que eu acho que promete. Chama-se ‘João Sem Maria’ e foi escrito por Célia Forte, que já demonstrou sua veia cômica em Amigas Pero No Mucho. O texto é muito engraçado. Para começar, Célia fez bem a lição de casa: são apenas dois personagens e uma única trama. Não adianta encher o palco com muitos atores e criar vários temas para uma encenação que vai durar, no máximo, 20 minutos.

Aqui, ela conta a história da mãe que, enquanto prepara a salada, recebe o telefonema do filho avisando que vai se divorciar de sua mulher. A mãe não admite isso, não por conta da separação em si, mas do efeito negativo que isso vai causar no resto da família. A cena é acompanhada pelo pai que, enquanto lê jornal, demonstra estar vendo mais uma das infinitas reações histéricas da mulher.

O curioso é que a mulher da qual o filho está se divorciando é judia e a mãe-personagem tem todas as características da mãe judia, aquela já eternizada nos filmes de Woody Allen e no ‘Complexo de Portnoy’, de Phillip Roth: possessiva, dramática, dona de gestos radicais e, por conta disso, muito engraçada em sua ‘tragédia’.

O pai é aquele homem que, testemunha de inúmeras cenas semelhantes, já desistiu de contestar a mulher, ao menos diante dela – às costas, faz gestos de quem intenciona matá-la. Ou seja, uma cena trivial em qualquer família que conta com uma matrona. O diferencial aqui são os diálogos criados por Célia: ela comprova ter bom ouvido para o dia-a-dia, pois capta expressões habituais que, bem utilizadas, provocam o riso. Sim, é isso: uma sequência de frases que comuns que, juntas, formam algo original.

A encenação deve acontecer no dia 5. Não sei ainda o local, mas sei que será às 23 horas. O casal vai ser encenado por Denise Fraga e Norival Rizzo, o que já garante um ótimo resultado. Eis uma aposta sem risco de perder.

Infelizmente, não poderei acompanhar – tirei alguns dias de férias e viajo nesta semana, voltando só em dezembro. Assim, ficarei sem escrever por alguns dias, mas retomo logo.

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