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Que viva Llosa!

Ubiratan Brasil

07 de outubro de 2010 | 10h00

  Uma pequena multidão se apertou aqui na sala de imprensa da Feira de Frankfurt para acompanhar, ao vivo, o anúncio do prêmio Nobel de Literatura a Mario Vargas Llosa. Também havia transmissão pela internet e, quando o senhor encarregado de fazer o anúncio começou a falar, em meio às palavras em sueco, só deu pra entender “Llosa”. Houve uma reação de admiração entre os jornalistas, creio que aprovando a escolha.

  Não me manifestei publicamente como os colegas, mas fiquei feliz. E triste, ao mesmo tempo. Afinal, se o prêmo foi para alguém merecedor, um escritor que vem combatendo os erros humanos por meio da literatura, bem, agora, nossas chances de ganhar um Nobel vão novamente demorar. Depois de Saramago, dizia-se que um país de língua portuguesa teria de esperar. Assim, lá se foram as chances de Jorge Amado e João Cabral de Melo Neto, nossos eternos candidatos – se é que eles eram inscritos para terem alguma chance.

  Agora, com Llosa vendo sua vida se transformar absurdamente (Saramago dizia que o Nobel torna-se, no primeiro ano, um fardo para o ganhador, que tem de correr o mundo, dar inúmeras entrevistas e, por conta disso, não consegue escrever, que é seu ofício), fomos, digamos assim, para o fim da lista.

Quem hoje mereceria um Nobel entre os brasileiros? Antes de responder, sei que, como todo prêmio, tornou-se um instrumento de uso político, mais até que literário, mas é inegável o bem que faz para o escritor e a literatura de seu país, se bem cuidado. É preciso ver o lado positivo, também. Ainda que o escritor seja o único beneficiado.

Sobre nossos candidatos, ainda acho que Ferreira Gullar é um grande merecedor. Basta seu ‘Poema Sujo’ para o transformar em um competitivo candidato. Mas é preciso que alguém o indique, assim funcionam as regras. Ele já foi duas vezes. Será que vão desistir agora?

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