Protagonistas da primeira e da atual montagem do musical ‘O Despertar da Primavera’ se encontram, emocionados
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Protagonistas da primeira e da atual montagem do musical ‘O Despertar da Primavera’ se encontram, emocionados

Ubiratan Brasil

03 de outubro de 2019 | 22h36

Quando estreou, em 2009, no Rio, o musical O Despertar da Primavera logo se tornou uma febre, criando uma onda apaixonada de admiradores, algo que no só me lembro de ter visto, com tal dimensão, em Wicked e Rent. Agora, dez anos depois, uma nova onda deve se formar quando estrear a nova versão de O Despertar, que estreia dia 1 de novembro, no Theatro Net Rio, e chegando em São Paulo no próximo ano.

Com a mesma direção e produção de Claudio Botelho e Charles Möeller, os Midas do musical brasileiro, a nova montagem vem sendo preparada no Rio e hoje, quinta-feira, 3, aconteceu um momento de rara emoção: o encontro do casal da montagem de 2009, Malu Rodrigues e Pierre Baitelli, com o atual, Tabatha Almeida e Rafael Telles. Foi o encontro dos Melchiors e Wendlas e, segundo relatos, Malu e Pierre ficaram emocionados com o ensaio.

Encontro. Rafael Telles, Pierre Baitelli, Malu Rodrigues, Tabatha Almeida. Foto Dan Coelho

O curioso é que, quando estreou na Broadway em 2006, o musical O Despertar da Primavera parecia fadado ao fracasso – afinal, um espetáculo altamente conceitual, com visual punk e baseado em canções pop, e ainda interpretado por um elenco jovem e desconhecido que tratava de temas polêmicos como suicídio e homossexualidade entre adolescentes, tudo parecia, enfim, um indigesto coquetel. Não foi o que aconteceu: na entrega do prêmio Tony (o Oscar do teatro americano), o musical faturou oito das 11 categorias para as quais foi indicado.

A história foi inspirada na peça escrita pelo alemão Frank Wedekind (1864-1918) que, acusada de incitar os jovens ao suicídio e à prostituição, foi proibida tão logo publicada, em 1891. Depois de uma atribulada carreira (em 1906, também foi censurada uma montagem alemã que contava com Peter Lorre), a peça só foi inteiramente encenada em 1974, na Inglaterra.

Sucesso absoluto (o psicanalista Jacques Lacan chegou a afirmar que Wedekind antecipa Freud), o texto logo inspirou os americanos Steven Sater e Duncan Sheik a transformá-lo em musical. A essência foi mantida: na Alemanha do final do século 19, Melchior Gabor e Wendla vivem uma história de amor que se confunde com o despertar do desejo de conhecer o sexo. A história deles se cruza com a de outros jovens, como o trágico Moritz e a libertária Ilse.

O musical trata de assuntos delicados e, na segunda temporada de São Paulo, em 2010, Malu não pode exibir os seios na cena em que sua personagem, Wendla, descobre o sexo com Melchior. O veto partiu de um juiz da Vara Central da Infância e Juventude na capital pelo fato de Malu, à época, ser menor de idade – de nada adiantou a documentação de antecipação de idade. Espera-se que, com atual moda de retração política, isso não se repita.

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