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Prêmios para Chico

Ubiratan Brasil

10 de novembro de 2010 | 11h02

Chico Buarque faturou mais um prêmio por ‘Leite Derramado’. Dessa vez, foi o Portugal Telecom, que lhe valeu R$ 100 mil. Semana passada, foi a eleição de Livro do Ano de Ficção pelo Jabuti. Se tivesse faturado também o São Paulo de Literatura e o troféu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Chico teria ganhado todos os grandes prêmios literários do ano.

Na entrevista que deu a Raquel Cozer, do Estado, e a outros jornalistas, ele tocou num ponto interessante: até que ponto suas premiações são motivadas mais pela força de sua presença artística que pela força da própria obra? E, no sentido contrário, até que ponto a rejeição é motivada pelo mesmo argumento?

É inegável que ‘Leite Derramado’ é seu melhor livro. Aqui, ele exibe mais segurança narrativa ao assumir um texto em primeira pessoa – as recordações do velho Eulálio têm uma densidade que não beira o vazio, tampouco é artificial, evidenciando a criação. O que me incomoda na obra, no entanto, é sua falta de fôlego. Parece que Chico exibe todas as armas até a metade da leitura, mas elas se revelam insuficientes para manter o leitor espantado.

É óbvio, portanto, que estamos diante de um escritor de fato, que vem apresentando progressos. Talvez o que o mais atrapalhe seja essa quase obsessão em desvincular o Chico Buarque cantor e compositor, que é unanimidade nacional, do Chico Buarque escritor, que ainda divide opiniões. São carreiras distintas, que correm paralelas, mas que, claro, nascem da mesma fonte. Na verdade, essa comparação vem muito da crítica também o que é uma bobagem. Chico é um artista de alto nível, que merece respeito, mesmo que suas opiniões políticas não agradem à maioria.

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