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Oscar para Lula

Ubiratan Brasil

24 de setembro de 2010 | 09h26

  Acompanhei, na quinta-feira, a divulgação do filme que vai representar o Brasil na categoria de melhor produção estrangeira no Oscar. Eu apostava em Chico Xavier, unicamente por acreditar que trazia uma história humana, tão ao gosto dos eleitores dessa categoria em Hollywood. Mas os nove membros da comissão foram mais longe e apostaram em Lula, o Filho do Brasil.

  Ou seja, não bastassem todos os canditados do PT que concorrem a próxima eleição, também nosso cinema se apoia em Lula. Preciso dizer logo que não é a figura do Lula que me incomoda nesta situação – é a idolatria em si, a fé de que alguém pode nos salvar. Assim, poderia ser o Serra ou a Marina ou quem quer que seja. É como se, mesmo sendo milhões, dependemos de um para conquistar o sucesso.

  É inegável o respeito que Lula conquistou no exterior, algo que seus detratores não esperavam. Mas será que precisaremos que ele também vá a Los Angeles, no dia da entrega do Oscar, para, quem sabe, subir ao palco do lado dos Barretos?

  Nada tenho contra o filme de Fábio Barreto. Gosto muito da primeira metade, carregada de uma intensa verdade. Mas o todo não me agrada. Por mim, apostaria em um dos filmes jovens como Antes que o Mundo Acabe ou Os Famosos e os Duendes da Morte. Até mesmo Bróder seria uma opção arrojada.

  Ao menos, é preciso elogiar o raciocínio da comissão que escolheu o filme: a Academia realmente parece gostar de filmes sobre vitórias humanas e Lula é um daqueles casos raros. Agora, resta esperar que o tiro não saia pela culatra e justamente o que nos parece nossa melhor arma, o carisma do presidente, seja desdenhada lá fora, entendida como truque barato para angariar votos.

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