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Os musicais de Chico Buarque

Ubiratan Brasil

10 de agosto de 2014 | 19h32

Não é segredo que Chico Buarque é o o autor brasileiro de teatro musical que mais se dedicou ao gênero desde os anos 1960. Com parcerias diversas, ele assinou pequenos clássicos como ‘Gota D’Água’, ‘Ópera do Malandro’, ‘O Grande Circo Místico’, para citar alguns. Daí não ser surpresa a constância com que seu trabalho volta aos palcos, em montagens distintas.

São Paulo terá, a partir desta semana, o prazer de receber três produções que trazem amostra de seu talento. Desde o fim de semana, já estão em cartaz ‘Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos’ e ‘Ópera do Malandro’. E, na próxima sexta, chega, do Rio, uma bela versão de ‘O Grande Circo Místico’.

‘Todos os Musicais’ é uma bela homenagem de Charles Möeller e Claudio Botelho, a dupla que assinou quase todas as melhores montagens do gênero dos últimos tempos. Não se trata de um recital tampouco de uma apresentação cronológica – Möeller e Botelho decidiram criar uma peça inédita em que os textos são as canções.

Assim, o espectador acompanha a apresentação de músicas de espetáculos totalmente não comunicantes, como ‘Roda Viva’ e ‘Calabar’, ‘O Corsário do Rei’ e ‘O Grande Circo Místico’, ‘República dos Assassinos’ e ‘Para Viver um Grande Amor’. O resultado é a possibilidade de estar diante de uma original visão de obras plenamente conhecidas. Para quem conhece os musicais, torna-se interessante perceber uma nova utilização das canções, diferente das que estamos acostumados.
Ainda não vi a nova montagem de ‘Ópera do Malandro’, mas estou curioso. Kleber Montanheiro dirige, faz cenário, figurino e vive a personagem Geni na montagem. São 18 atores que interpretam 16 canções, cenário inspirado na poltrona Favela, dos irmãos Campana e figurino todo preto, com referência em Jean Paul Gaultier, Alexander McQueen e Coco Chanel. Espero que o coletivo funcione.
Já ‘O Grande Circo Místico’ chega com preciosas modificações. O original, concebido por Edu Lobo e Chico Buarque, trazia canções para um espetáculo de balé, encomenda do Teatro Gaíra, de Curitiba. Essa nova versão utilizou as letras para criar uma dramaturgia, assinada por Newton Moreno e Alessandro Toller.
Trata-se de uma bem realizada montagem que mostra o confronto da arte contra a barbárie, ou seja, da resistência de uma trupe de circo durante uma grande guerra. Não se trata de um espetáculo infantil, ainda que a montagem de João Fonseca seja digna de um artista com alma juvenil, embora sem concessões – o que, aliás, acontece em qualquer conflito de grandes dimensões.
O elenco está afinadíssimo, mas impossível não destacar o trabalho de Fernando Eiras, como o administrador do circo. Ator inspirado, traz improvisações pertinentes e, nos momentos mais emotivos, revela a essência de sua alma gentil. Inesquecível

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