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Os melhores musicais de 2013

Ubiratan Brasil

31 de dezembro de 2013 | 17h10

Com o final do ano, nada melhor que retomar esse velho contato – espero ainda ter algum leitor desgarrado.

Aqui vai meu texto sobre os musicais montados em São Paulo em 2013, com destaques apontados em seguida.

Não fiz menção a produções montadas no Rio, que certamente merecem atenção, como Elis – A Musical e Como Subir na Vida sem Fazer Esforço. Foram notáveis, sim, mas, por ora, preferi falar dos paulistas. Aqui vai o texto:

Em 2013, o teatro musical apresentado em São Paulo atingiu a maioridade. Não deixou de oferecer o modelo clássico, que mescla dança, comédia e belas canções, mas abriu espaço também para temas espinhosos, como o luto da perda, ética na psiquiatria moderna e bipolaridade. E, de quebra, belas homenagens a artistas e grandes eventos.
O ano começou com a estreia de Quase Normal, que veio de uma temporada de sucesso no Rio. O espetáculo dirigido por Tadeu Aguiar revelou-se uma obra intrigante, com uma história adulta, complexa e inovadora para os palcos acostumados a tramas multicoloridas e essencialmente otimistas. Tudo gira em torno da trajetória de Diana Goodman (Vanessa Gerbelli Ceroni, em atuação inesquecível), típica dona de casa classe média que, de repente, começa a exibir distúrbios na conduta – primeiro, algo pueril, como enfileirar fatias de pão no chão como se preparasse o almoço; depois, mais grave, como preparar um bolo de aniversário para o filho que há muito está morto.
Relações familiares também são o fio condutor de O Rei Leão, o megassucesso da Broadway, que chegou em produção caprichada e terminou o ano com um novo recorde – em nove meses de temporada, atraiu 455 mil espectadores, batendo O Fantasma da Ópera. Os números traduzem a fidelidade da montagem brasileira à concepção original de Julie Taymor, que sempre apostou na fantasia ao não esconder os atores que interpretariam os animais. Destaque para marcante presença de Tiago Barbosa, como Simba.
Com uma produção mais modesta, Vingança conquistou os fãs da música romântica ao contar a vida do compositor Lupicínio Rodrigues por meio de suas canções. Um trabalho delicado, sob a direção de André Dias, que felizmente volta em cartaz em fevereiro, novamente no CCBB.
Também fruto de um investimento relativamente baixo, Tudo por um Pop Star encantou um público habitualmente desinteressado em musicais, os adolescentes. Ou melhor, as adolescentes, que faziam fila na saída do teatro, à espera dos atores. O motivo estava na trama, que traduz os dramas da adolescência de forma bem-humorada.
Os palcos paulistanos receberam também produções de grande porte, inspiradas em clássicos da Broadway, como O Mágico de Oz e Alô, Dolly! Com Crazy for You, Claudia Raia tornou-se pioneira ao apresentar um espetáculo em que o sapateado ocupa uma posição determinante, além de propiciar uma engraçada e marcante apresentação de Jarbas Homem de Melo e Marcos Tumura.
Pioneirismo também é a marca de A Madrinha Embriagada, primeira produção bancada pelo Sesi/Fiesp, que vai financiar também o primeiro curso de formação de atores do teatro musical, iniciativa inédita no País, previsto para 2014. A montagem, dirigida e adaptada por Miguel Falabella, oferece um adorável passeio pela São Paulo dos anos 1920, comandado por um inspirado Ivan Parente.
Apostas nacionais trouxeram ainda montagens que se tornarão clássicas no repertório brasileiro, como Rock in Rio – O Musical, dirigido por João Fonseca, e, principalmente Gonzagão – A Lenda, de João Falcão, adorável homenagem ao rei do baião.

DESTAQUES
1) Quase Normal
Assuntos delicados, de difícil digestão, ganharam grandeza no palco, especialmente na voz de Vanessa Gerbelli Ceroni
2) Gonzagão – A Lenda
Uma biografia que ganhou contornos mágicos graças à inspirada atuação de um elenco de voz poderosa e atuação tocante.
3) O Rei Leão
Líder supremo dos musicais, a montagem nacional mantém o brilhantismo da criação de Julie Taymor com precisas pitadas nacionais.
4) A Madrinha Embriagada
A nata da primeira geração de atores brasileiros de musicais reunida em uma homenagem deliciosa a esse gênero ainda desprezado pela crítica
5) Rock in Rio – O Musical
Ao contrário dos temores, não foi chapa branca, revelando anseios juvenis na época da redemocratização, capitaneado por um Hugo Bonemer com fôlego de gato