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Os Addams chegaram

Ubiratan Brasil

09 de março de 2012 | 11h28

É simplesmente imperdível o musical da Família Addams. Vi o primeiro ensaio geral e, duas semanas depois, a estreia para convidados. O elenco estava mais à vontade, as piadas fluíram melhor, as canções chegavam mais gostosas.

O que realmente diferencia esse musical, na minha opinião, é seu humor. Como a família privilegia o que normalmente consideramos ruim (hoteis ruins, dias chuvosos, passeios em cemitérios), a graça justamente desse confronto de opiniões.

E a versão brasileira aprimora o original ao colocar detalhes nacionais, como referências a Michel Teló. Nesse ponto, chego ao que considero o grande trunfo da nossa montagem: o elenco. Os atores estão especialmente adaptados a seus papeis, tornando o absurdo algo corriqueiro.

É preciso falar logo de Daniel Boaventura. Quem acompanha musicais, já o conhece há algum tempo, especialmente seu talento. Mas Daniel parece ter se superado como Gomez Addams. É impressionante como ele descobriu o ponto exato do malandro latino, tanto na inflexão de voz como no gestual, conseguindo descobrir graça em praticamente todas suas participações. E, melhor, sem cansar. Certamente, é uma das suas melhores caracterizações, digna de prêmio.

Também Marisa Orth surpreende. Seu talento cômico é mais que conhecido, mas, aqui, ela soube como tirar proveito da concisão, ou seja, fisicamente ela não é espalhafatosa, criando uma Mortícia que funciona principalmente pela inflexão da voz. E isso também provoca muitas gargalhadas.

Não posso terminar sem lembrar de Laura Lobo como a filha Wandinha e Nicholas Torres no papel no papel do filho Feioso. Observem bem esses dois meninos, pois serão as estrelas do musical brasileiro. Apesar da pouca idade, já têm um domínio vocal exemplar além de saberem interpretar. O futuro está garantido.

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