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Obviedades do Oscar

Ubiratan Brasil

25 de fevereiro de 2011 | 21h39

  Cá estou de volta, depois de uma longa temporada sem posts, motivada por um excesso de trabalho no Caderno 2. Mas volto em grande estilo, pois estou em Los Angeles, onde vou acompanhar, no domingo, a entrega do Oscar.

 A festa, como sempre, é muito criticada, seja pela longa duração, seja pela breguice ou ainda pelas obviedades. Eu gosto muito, mesmo longa e brega, mas confesso que vem me cansando suas obviedades. Afinal, desde que ficou claro que boa parte dos vencedores é conhecida previamente graças às escolhas nas votações de seus sindicatos, é chato assistir à uma cerimônia sem supresas.

Parece não haver dúvida que Colin Firth e Natalie Portman serão premiados nas categorias principais, assim como O Discurso do Rei será o filme do ano. O que deveria ser feito? Talvez uma mudança no calendário, ou seja, primeiro viria o Oscar, depois Globo de Ouro, Bafta etc? Mas aí o Oscar não seria a festa que encerra a temporada de premiações. A situação é complicada.

O legal seria os votantes mudarem de ideia, ou seja, os atores pensarem melhor e decidirem em eleger Javier Bardem (de longe, a melhor atuação do ano entre esses concorrentes). Também virarem a mesa, agradecer Natalie Portman pela quantidade de lágrimas no chatíssimo Cisne Negro e anunciarem: “Preferimos Jennifer Lawrence, por Inverno da Alma. Ah, também ficamos com Geoffrey Rush, como coadjuvante, por O Discurso do Rei – Christian Bale tá legal, mas ainda tem de gramar um pouco mais. E empate entre Melissa Leo (O Vencedor) e Hailee Steinfeld (Bravura Indômita)” Seria legal, não?

No fim, o que motiva mesmo é esperar pela categoria de filme estrangeiro. Aí sim acontecem surpresas. Neste ano, por exemplo, as apostas indicam o dinamarquês Em Um Mundo Melhor. Ainda não vi, mas Biutiful é um filme da pesada. E também barra pesada, por isso é bom. Será que Iñárritu leva, finalmente, seu Oscar?

E temos ainda Lixo Extraordinário, entre os documentários. Estive hoje com parte da equipe e me impressionou a felicidade deles só pelo fato de estarem aqui, na condição de indicados. Não que já tenham desistido, embora a preferência parece ficar entre Exit Throug the Gift Shop e Trabalho Interno. Mas quem sabe não acontece também aqui uma surpresa? Trabalho Interno é denso, incômodo, requer uma atenção redobrada e conhecimentos de economia. Mas disseca a crise econômica mundial de 2008 como jamais tinha visto. E dizem que Exit é um filme legal. Minha torcida fica com o Lixo.

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