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O caso Leya

Ubiratan Brasil

01 de dezembro de 2010 | 11h22

O ano literário corria de forma tranquila até ser agitado pelos percalços do Prêmio Jabuti, que todos devem conhecer. Ainda vale comentário, especialmente por conta de diversas insanidades proferidas, mas prefiro agora ficar com o Prêmio Leya, tema aliás bem sugerido por João Athayde.

Depois de premiar em 2008 e 2009 escritores que julgava promissores, o juri deste ano anunciou que nenhuma das obras inscritas apresentava qualidade necessária para faturar os 100 mil euros e preferiu não indicar vencedor algum. Como aconteceu em um momento em que as regras do Jabuti continuam estimulando debates, essa decisão permite algumas reflexões: teria o caso Jabuti influencidado de alguma maneira? Claro que  competência do juri, formado, entre outros, pelo angolano Pepetela e o brasileiro Carlos Heitor Cony, está acima de qualquer suspeita e certamente a medida seria tomada em qualquer tempo. Mas é curioso que, coincidência ou não, aconteça justamente agora. Parece até um contraponto ao prêmio brasileiro.

Em 2008, o vencedor foi o romance O Rastro do Jaguar, do brasileiro Murilo Carvalho. Ainda não li, mas, à época da divulgação do prêmio, o presidente do júri, Manuel Alegre, justificava ser uma obra de vasta erudição. Em todo caso,  o livro não aconteceu, não despertou maiores comentários ao menos da crítica – o que pode ser uma injustiça, é preciso, portanto, lê-lo. Mas teria o júri mal avaliado?

O certo é que, nos concorrentes de 2010, faltaram elementos necessários para convencer o júri de sua qualidade. João Athayde comenta sobre a vergonha que devem ter sentido escritores consagrados que inscreveram obras agora desqualificadas. Creio não haver algum nome renomado, pois a intenção do prêmio é divulgar novos autores.

A lição que se tira de tudo isso é que o rigor é necessário em qualquer tipo de premiação, assim como a isenção. O Leya, assim como o Jabuti, o Portugal Telecom, o São Paulo de Literatura,  o Zaffari, trazem pessoas capazes em suas comissões julgadoras. Isso não significa que sua decisão seja inconteste. Assim, é preciso reavaliar sempre as regras, seja a partir de erros próprios, seja a partir dos dos outros.

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