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Novo curso nos musicais

Ubiratan Brasil

08 de maio de 2012 | 19h02

Aqui vai minha matéria que está saindo no Estadão, com exclusividade:

É o chamado casamento perfeito: de um lado, a sólida experiência com o teatro musical dos criadores Charles Möeller e Claudio Botelho, responsáveis por grandes sucessos dos últimos anos (Hair, O Violinista no Telhado); de outro, a GEO Eventos, empresa que, associada à americana Base Entertainment, investe maciçamente na área desde a estreia de Priscilla – A Rainha do Deserto. O acordo foi fechado há alguns dias e Möeller e Botelho, agora diretores de musicais da GEO, são responsáveis pelos novos projetos da empresa.

“O que mais nos encanta nessa parceria, além da possibilidade de continuarmos com nossos planos, é a ponte com o mercado americano por meio da Base”, comenta Botelho. “Passamos uma semana em Nova York conversando com seus dirigentes e descobrimos que eles dispõem de títulos recentes mas também de clássicos, que fazem parte do nosso repertório.” Com isso, um de seus primeiros projetos na nova casa, o musical sobre Milton Nascimento, pode também chegar aos EUA e à Europa.

Möeller e Botelho, que trabalham juntos desde 1997, quando estrearam o primeiro espetáculo, As Malvadas, estavam ligados à Aventura Entretenimento, empresa carioca que produziu todos seus musicais desde A Noviça Rebelde, em 2008. “Colecionamos vários sucessos e levamos, no total, mais de 1 milhão de pessoas aos teatros, mas, nos últimos meses, nossos desejos artísticos já não batiam mais”, explica Botelho. O desencontro começou quando a Aventura enveredou por outros caminhos, como desenvolver uma estratégia de marketing para a escola de samba São Clemente, no carnaval carioca, além de preparar um musical sobre o Rock in Rio – projetos que não figuravam nas intenções da dupla. O último trabalho conjunto, a montagem de O Mágico de Oz, estreia em junho, no Teatro João Caetano, no Rio.

Ao saber da notícia que Möeller e Botelho deixaram a Aventura, Leonardo Ganem, diretor-geral da GEO Eventos, iniciou as negociações. “Pretendemos fazer grandes investimentos no teatro musical aqui no Brasil e também no exterior”, explica. “E ninguém melhor que Charles e Claudio para cuidar disso; afinal, eles começaram seu trabalho quando ninguém se interessava por musicais e hoje são grandes especialistas.”

O contrato de três anos (com direito a renovação) prevê que a dupla entregue ao menos cinco projetos de espetáculos por ano à GEO que, por sua vez, responsabiliza-se para viabilizar dois ou, ao menos, um deles. “Eles continuam com total liberdade de criação, sem as imposições que muitas vezes acompanham alguns espetáculos da Broadway”, reforça Ganem, lembrando que a aproximação aumentou com a abertura de um escritório da empresa, que é sediada em São Paulo, no Rio.

Já Charles Möeller e Claudio Botelho conseguirão viabilizar outro sonho antigo: o de ter um teatro próprio, uma vez que a GEO mantém um amplo espaço (são mais de 600 lugares), localizado no mesmo prédio que abriga o Instituto Tomie Ohtake. “Hoje, é um dos locais mais completos para se montar musicais no Brasil”, acredita Botelho.

A dupla não participará, no entanto, do espetáculo Arrabal, que vem sendo concebido na Argentina pelo músico Gustavo Santaolalla. “Devemos estreá-lo no próximo ano em Boston ou Nova York”, conta Ganem.

PRIMEIROS PROJETOS

Milton Nascimento – Nada Será como Antes

Musical sem diálogos que não pretende contar a vida do cantor e compositor mineiro – apenas revelar sua obra. Serão 60 músicas, interpretadas por 11 atores e um quarteto de cordas. Estreia prevista para o dia 5 de agosto no Teatro Net Rio – Sala Tereza Rachel, no Rio

Como Vencer na Vida Sem Fazer Esforço

Montado pela primeira vez na Broadway em 1961, musical mostra como um lavador de janelas encontra um guia prático de subir nos negócios. Estreia em outubro ou em janeiro de 2013, no Teatro GEO, com Luis Fernando Guimarães (pela primeira vez em um musical) e Bruno Gagliasso

Dancing Days

Musical de Nelson Motta sobre a casa de espetáculos montada por ele na Gávea, no Rio, nos anos 1970, Lá, tornou-se reduto da disco music e foi onde surgiram, entre outros, os sucessos do grupo Frenéticas. Deve estrear no próximo ano, no Teatro Casagrande, no Rio

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