No tapete vermelho
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No tapete vermelho

Ubiratan Brasil

25 de fevereiro de 2012 | 02h48

Depois de uma longa viagem e a zonzeira provocada pelo fuso horário (até domingo, estarei 6 horas atrás do Brasil), tive um primeiro dia agitado em Los Angeles. Graças a Carlinhos Brown. Mas no bom sentido, pois o homem é fera e entende muito de marketing e bom senso.

Logo no início do dia, acompanhei a entrega de um diploma comemorativo aos 50 anos que Salvador e Los Angeles são cidades irmãs. Claro que Carlinhos era a melhor opção para receber a comanda, afinal, trata-se de um indicado para o Oscar o que, até domingo à noite, confere um ar de celebridade para qualquer finalista.

Carlinhos falou de improviso e lembrou que o prefeito de Los Angeles, na época em que foi assinado o acordo, era um negro, o que já antecipava uma simpatia pelo sincretismo cultural que viria a seguir.

Depois, em entrevista exclusiva para mim, ele lembrou de sua passagem pela cidade, há 30 anos, quando impressionou os americanos com sua percussão “Fui convidado a ficar aqui, mas não me senti atraído pelo esquema de celebridade: não queria construir uma carreira sozinho, mas acompanhado da minha comunidade.”

Não me pareceu presunçoso ou alguém que estivesse forçando uma simplicidade – Carlinhos é realmente um homem do coletivo. Mas isso não quer dizer que não sabe o poder da publicidade. E como se deve tirar proveito disso.

Um bom exemplo aconteceu à tarde, quando ele foi gravar uma entrevista que deve entrar no Fantástico desse domingo. Carlinhos estava na Hollywood Boulevard, a avenida onde é montado o tapete vermelho, e, acompanhado de amigos que moram aqui, montou uma mini bateria, que logo tacou um samba na avenida. Eles vieram pela faixa da avenida que não foi ocupada pelo tapete, como num desfile de escola de samba. Logo juntou gente, pois a banda estava acompanhada de uma mulata boa de curvas e de pouca roupa.

Entre os curiosos, surgiu um sósia de Michael Jackson – a região em torno do Kodak Theatre e do Teatro Chinês vive apinhado de sósias de personagens de cinema, que posam para fotografias em troca de umas moedas. Pois bem, Carlinhos falava para a câmera quando puxou o tal Jackson e o fez sambar com a mulata. Enquanto isso, Carlinhos ensaiava os passos imortalizados por Michael Jackons. A cena foi surreal. E agradou tanto que um homem deu duas moedas de 25 cents para Carlinhos, como pagamento pelo show.

Se a canção Real in Rio, de Carlinhos, Sergio Mendes e Seidah Garrett, vai ganhar, é difícil dizer. A vantagem tende ligeiramente para os bonecos da família Muppet e sua canção Man or Muppet. Mas, seja como for, Carlinhos Brown já deixou sua marca poderosa no Oscar. É de se imaginar o que ele faria se pudesse apresentar a música durante a cerimônia…

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