As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Na caça de Chico Buarque

Ubiratan Brasil

05 de novembro de 2010 | 09h29

Na noite de quinta-feira, fui cobrir a entrega do Prêmio Jabuti,  mais prestigioso da literatura nacional. Os vencedores das 21 categorias já eram conhecidos – foram lá apenas para receber a estatueta. A notícia da noite seria a divulgação dos ganhadores de Melhor Livro de Ficção e de Não Ficção.

Na entrega do ano passado, brinquei com o curador do prêmio, José Luiz Goldfarb, que eu não sabia quem ia ganhar naquele dia mas tinha certeza que Chico Buarque seria o vencedor em 2010 com Leite Derramado. É que entre os votantes do melhor livro do ano estão também livreiros, que se baseiam muito pelo retorno de vendas. E Chico ficou algumas semanas na lista dos mais vendidos.

A suspeita praticamente se confirmou quando nós, jornalistas, fomos informados de que Chico tinha chegado. A cerimônia já tinha começado e ele ficou um tempo no camarim para não chamar atenção. E logo se sentou na sexta fileira, ao lado de seu editor, Luiz Schwarcz.

Claro que o anúncio foi o último evento da noite e, batata, Chico foi escolhido. Enquanto ele esperava, teve a paciência de atender a uma infinidade de fãs (99% mulheres), inclusive a atriz Regina Duarte, que pediam autógrafor e permissão para uma foto.

Declarado vencedor, ele subiu ao palco, recebeu a estatueta e rapidamente saiu por uma porta, escoltado por Schwarcz. Ora, estávamos, jornalistas, à espera de uma mini entrevista e logo levamos um cano. Eu já tava conformado quando vi Lilia, mulher de Schwarcz, sair rapidamente por uma porta. Pensei: “ela vai me levar até o Chico”.

Eu a segui até chegar ao estacionamento, onde, de fato, o cantor se aproximava do carro de seu editor. Pensei, é agora. Apressei o passo e o chamei, pedindo uma palavrinha. Chico não pareceu muito animado mas, educado, permaneceu parado, com a porta do carro aberta. Me aproximei e consegui fazer duas perguntas. O que posso adiantar é que ele não está pensando no próximo livro pois está compondo músicas. Ou seja, logo teremos outro disco para, quem sabe, nos deliciar.

De volta ao grupo de jornalistas, eles não acreditaram inicialmente que eu tinha falado com Chico, mas, como fui categórico, acreditaram. Não foi, claro, A entrevista que, espero ainda, algum dia fazer. Mas serviu para alguma coisa.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: