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Mamma Mia!

Ubiratan Brasil

25 de outubro de 2010 | 11h22

  Acabo de voltar de Nova York, onde, em uma rápida passagem, assisti a dois musicais. Um a trabalho, motivo principal da viagem. O outro, por prazer. Falemos primeiro de negócios. A convite da T4F, fui acompanhar a versão americana de Mamma Mia!, cuja montagem nacional estreia no dia 11 de novembro, no Teatro Abril. Como serão versões muito semelhantes (como sempre acontece nos espetáculos montados no Abril), já serviu como comparação.

Claro que o encanto maior são as músicas do ABBA. Incrível como conquistaram uma longevidade depois de um período de esquecimento, entre os anos 1980 e início dos 90. Há uma vibração contagiante, mesmo que as letras sejam pueris. E isso é traduzido no palco a partir de uma coreografia extremamente física, especialmente entre os atores mais jovens. É realmente de tirar o fôlego, lembrando em alguns momentos o segundo ato de Cats, em que também os ‘gatos’ exibem seu contorcionismo acrobático.

Estou curioso para ver como será a nossa versão. Agora, em um detalhe acredito que o Mamma Mia! brasileiro deverá ser um tanto superior: nas interpretações. Os americanos são corretos, têm a intenção certa na voz, os maneirismos adequados mas senti falta de um pouco de naturalidade. Um detalhe deve ser levado em conta: a apresentação que vi, na sexta-feira, marcava a estreia de cinco atores em papeis chave, especialmente a de Donna, vivida por Mery Streep no cinema. Assim, havia uma expectativa muito grande entre eles, o que é plenamente natural. E, como acontece em todo lugar, passada a estreia, os atores vão se estruturando e se adaptando ao seu papel, criando as suas particularidades.

Mesmo assim, aposto minhas fichas nos brasileiros, que já demonstraram não só potencialidade vocal mas também cênica. Falo especialmente de Saulo Vasconcelos e Kiara Sasso, que já vi e aprovei em outras montagens. Confesso ter especial curiosidade para acompanhar o trabalho de Rachel Ripani, que ainda não vi em musicais. Mas me lembro de uma cena de Pobre Super-Homem, montagem dirigida por Sérgio Ferrara em 2000,  em que Rachel cantava e exibia uma belíssima voz. Ou seja, muito provavelmente também fará um bom papel. Logo poderemos conferir.

O outro musical que vi, esse no sábado, foi The Little Night Music, uma pequena jóia de Stephen Sondheim, que ganhou uma sobrevida na Broadway depois de uma troca de elenco. Acredito que muitas pessoas pessoas prefeririam ver Catherina Zeta-Jones em cena, mas eu fui com mais vontade para ver a sua substituta, Bernadette Peters, uma das minhas preferidas na Broadway, especialmente em espetáculos de Sondheim. Mas disso vou tratar melhor em outro post.