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Luciana Villas-Boas

Ubiratan Brasil

22 de janeiro de 2012 | 18h21

O mercado editorial brasileiro foi sacodido na semana passada com a notícia da saída de Luciana Villas-Boas do cargo de editora da Record, o maior conglomerado editorial do País. Depois de 17 anos no cargo, ela assume, em março, sua própria agência de consultoria literária.

Eu me lembro de Luciana quando ainda repórter, se não me engano, do Globo. Não a conhecia pessoalmente, mas lia suas matérias. Fomos nos conhecer quando eu já estava no Caderno 2 e ela, em sua função na Record. Ela sempre me pareceu uma mulher inteligente, antenada com o mercado editorial mundial, especialmente nos últimos anos, quando o avanço tecnológico ofereceu uma rapidez tal aos negócios que um sucesso dependia da astúcia, bom senso e, por que não?, de sorte do diretor editorial na condução da negociação.

Gosto de lembrar dos grandes acertos nacionais de Luciana, como Lya Luft e Cristovão Tezza, hoje best-sellers da Record. Foram apostas dela. Claro que houve o incidente da saída da obra de Carlos Drummond de Andrade e também da de Jorge Amado, nomes acima de qualquer categoria, jóias que qualquer editora gostaria de oferecer em seu catálogo. Mas aí a responsabilidade tem de ser dividida, pois, conhecendo mais ou menos como funciona a estrutura da Record, sei que há mais pessoas envolvidas com os grandes autores.

 Além do profissionalismo exemplar, Luciana sempre encantou (principalmente agentes e editores estrangeiros) por sua beleza: não havia festa em que ela não brilhasse, mesmo mantendo a sobriedade, sem exibicionismo. Sempre foi algo natural.

De uma certa forma, ela estará agora em um outro lado no enorme balcão que é o mercado editorial, vendendo e não mais comprando “nomes”. Mas, certamente Luciana continuará surpreendendo.

Resta saber agora como ficará o Grupo Record e sua reestruturação, prometida pelo presidente Sérgio Machado.

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