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Lobato, em Ouro Preto

Ubiratan Brasil

11 de novembro de 2010 | 18h52

Cheguei a Ouro Preto na manhã desta quinta-feira, para cobrir e participar do Fórum das Letras que, neste ano, privilegia a relação entre as literaturas africanas e brasileira. Um belo motivo para encontrar figuras notáveis como o português/angolano Luandino Vieira, com quem acabei de conversar, e João Ubaldo Ribeiro.

A primeira palestra a que assisti reuniu Alberto Mussa e o nigeriano Felix Ayoh’Omidire. Foi uma belíssima conversa sobre o mito africano e sua profunda presença na cultura brasileira, ainda que isso não seja devidamente aceito.

Mas o que me chamou mais atenção foi a opinião de Mussa sobre o caso Monteiro Lobato. Para quem não se lembra, o Conselho Nacional de Educação recomendou a exclusão do livro As Caçadas de Pedrinho do acerdo do Programa Nacional Biblioteca na Escola por acreditar que a obra apresenta conotações pejorativas, discriminatórias e preconceituosas.

Mussa  acredita que as crianças (o público alvo da obra) não têm capacidade suficiente para contextualizar a obra a fim de entender a época e os motivos que levavam Lobato a escrever, por exemplo, que “Tia Nastácia era uma negra burra”. Assim, ele não aconselha a leitura da obra de Lobato pelos mais jovens, referendando, portanto, a recomendação do Conselho.

Continuo não concordando. O entendimento do passado requer um trabalho cada vez mais apurado da educação, ou seja, antes de proibir, é preciso capacitar as pessoas (no caso, os jovens) para que entendam corretamente a situação política e social durante a qual determinadas obras foram escritas. Proibir continua a pior das hipóteses.

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