Jô Soares, mesmo machucado, diverte plateia na estreia da peça ‘O Livro ao Vivo’
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Jô Soares, mesmo machucado, diverte plateia na estreia da peça ‘O Livro ao Vivo’

Ubiratan Brasil

12 de abril de 2019 | 09h25

Jô Soares sofreu uma queda em seu apartamento, na quarta-feira, 10, que lhe deixou arranhões no rosto e um hematoma na testa. “Por isso, é a primeira vez que entro no palco maquiado, pois me esburrachei no chão”, disse ele na noite do dia seguinte, quinta, 11, no Teatro Faap, onde estreou O Livro ao Vivo, espetáculo em que narra divertidas histórias de sua vida, pinceladas dos dois volumes de sua autobiografia, O Livro de Jô (Companhia das Letras). Durante mais de uma hora, ele permaneceu sentado, uma vez que também se recupera de dores no ciático. Para completar, deixou o hospital há poucos dias, onde esteve internado para tratamento de uma forte gripe.

Mesmo debilitado fisicamente, o humorista comprovou que seu talento continua intacto e indestrutível. Também revelou ter o dom que marcou a carreira de outros grandes artistas como  Bibi Ferreira e Paulo Autran que, embora limitados fisicamente pela velhice, bastava que eles subissem a um palco para que um incrível rejuvenescimento tomasse conta de seus corpos, deixando boquiaberta toda uma plateia.

Em cena. Jô Soares e Matinas Suzuki Jr., no momento de agradecimentos. Foto Ubiratan Brasil/Estadão

Ao lado do jornalista Matinas Suzuki Jr., que o auxiliou na organização das memórias e agora faz o papel de condutor, jogando temas que são explorados pelo humorista, Jô encantou um público que se dividiu entre pagantes e convidados, tanto pessoas que estiveram presentes em momentos da vida do comediante, como Juca de Oliveira, Cassio Scapin, Marco Antônio Pâmio e Adriane Galisteu, como franco admiradores como Denise Fraga, Luiz Villaça, Drauzio Varella, Regina Braga, Mario Sergio Cortella, Pedro Herz, Luiz Schwarcz, Lilia Moritz Schwarcz.

“Todo dinheiro que ganhei, tudo que pude comprar durante minha carreira, desde o primeiro lápis até meu apartamento, veio da admiração das plateias que me acompanharam. A elas, sou imensamente grato”, disse Jô, nos agradecimentos, visivelmente emocionado. Havia nele uma sensação de vitória depois de, mais uma vez, “fazer o número do trapézio, mas sem rede”, como define a arte teatral, a experiência de estar ao vivo diante do público.

Nas histórias que lembrou, Jô reverenciou colegas do humor como Ronald Golias (que tinha a mania de atender qualquer telefone que tocasse) e Paulo Silvino (crente da existência de uma sociedade em outra dimensão). Contou histórias fabulosas, como a missão dada pelo então comandate da TV Record, Paulo Machado de Carvalho, para, em 1966, tanto arrumar teipes de jogos das seleções que poderiam enfrentar o Brasil na Copa do Mundo daquele ano, na Inglaterra, como arrancar uma bênção forjada do então papa, Paulo VI, transmitida pela rádio Jovem Pan. Relembrou ainda da herança que recebeu da mãe, Mercedes, apelidada Mocha, que lhe contou uma piada de português recheada de palavrões – isso quando Jô tinha apenas 6 anos. Agora, aos 81, ele comprova que continua como um dos maiores humoristas brasileiros.

O LIVRO AO VIVO. Teatro Faap. Rua Alagoas, 903. Tel.: 3662-7233. 5ª a sáb., 21h. R$ 80. Até 29/6

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