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Hedwig

Ubiratan Brasil

27 de agosto de 2011 | 23h34

No período de uma semana, São Paulo tem o privilégio de receber dois novos musicais. Primeiro, “As Bruxas de Eastwck”, em seguida, “Hedwig e o Centímetro Enfurecido”.

São dois exemplos de como se faz um musical. Enquanto “As Bruxas” pede um grande palco, “Hedwig” funciona bem em um espaço mais íntimo, como é o caso do Teatro Nair Bello. Também são pegadas diferentes, com “Hedwig” apostando no rock.

O espetáculo veio do Rio com uma modificação: Felipe Carvalhido no papel antes vivido por Paulo Vilhena. Não vi a interpretação de Vilhena e sei que é um grande ator, mas ouso dizer que ele não suplantou Carvalhido – no máximo, igualou. Sim, Carvalhido une humor, emoção e uma forte interpretação em doses certas e cavalares, quase arrancando o espectador da cadeira por conta de sua atuação. Forma, assim, um pelo duo com Pierre Baitelli, que já exibira talento em “O Despertar da Primavera” mas aqui utiliza todos seus recursos de forma profissional e emotiva.

É impressionante como uma história que pareceria ser apenas engraçada (transexual em busca de seu complemento, amoroso e profissional) surge no palco com uma alta dose de humanismo, em que Baitelli e Carvalhido vivem as duas faces de uma mesma moeda, um dualismo que só pretende a unificação.

O mérito certamente deve ser também creditado à direção de Evandro Mesquita que, como músico, conhece muito bem o potencial emotivo de uma canção. E também a Jonas Calmon Klabin, autor da tradução das letras, perfeitas ao preservar a intenção do autor, mas com um toque brasileiro, o que aproxima o personagem da plateia.

O autor das letras e da música, aliás, Stephen Trask, veio a São Paulo para a estreia. Um pouco ainda atordoado com a viagem (havia chegado naquela manhã e confessou ter bebido bastante durante o voo), ele me disse que ficara muito feliz com a decisão de Evandro Mesquita em colocar dois atores para viver Hedwig, o que reforça a contradição que todos vivemos em algum momento da existência.

A interpretação arrasadora de Baitelli, Carvalhido e também de Eline Porto (dona de uma belíssima voz) justifica assistir a Hedwig mais de uma vez.

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