HangarBicocca é centro da arte contemporânea
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HangarBicocca é centro da arte contemporânea

Ubiratan Brasil

28 de janeiro de 2022 | 18h39

Localizado em Milão, o HangarBicocca é um dos principais pontos de encontro da arte contemporânea, especialmente a europeia. Desde 2012, quando o espaço foi revitalizado, diferentes aspectos da cultura visual ganharam ali espaço para exposição, aliando desde investigação conceitual, experimentação formal e potência crítica até a capacidade de encantar os sentidos, não apenas visuais mais sensoriais, táteis e auditivos.

“É um ótimo ponto de encontro de ideias que promovem a experimentação e a pesquisa, além de se relacionarem com o ambiente milanês”, observa Marco Tronchetti Provera, vice-presidente executivo e CEO da Pirelli, empresa italiana que completa exatos 150 anos de fundação, nesta sexta, 28.

Instalações do HangarBicocca, em Milão. Foto Pirelli

Um dos principais grupos econômicos nos setores de beneficiamento da borracha (seus pneus são conhecidos) e imobiliário do mundo, a Pirelli está no Brasil desde 1929. “A empresa foi sempre a mesma, com uma característica familiar e uma administração profissionalizada”, comenta Provera, para quem o investimento cultural é um dos principais objetivos da Pirelli. Ele conversou com o Estadão por zoom e salientou a importância das ações desenvolvidas no HangarBicocca, um imenso galpão de cerca de 15 mil metros quadrados e um pé direito de quatro andares, onde antes funcionava uma fábrica de trens.

Ao ser lembrado pelo repórter da exposição realizada ali pelos OsGêmeos, em 2016, quando toda uma fachada foi pintada pela dupla brasileira, o executivo disse que o espaço foi planejado com dupla função. “Claro que é reservado para os artistas apresentarem seus trabalhos, mas também é pensado para promover a socialização da população.”

Trabalho da dupla OsGemeos, no HangarBicocca. Foto OsGemeos

Mais universal e igualmente atraente é o Calendário Pirelli, lançamento de marketing que se tornou, com os anos, objeto de culto e peça de colecionador. Criado em 1964, teve uma breve parada entre 1975 e 1983, até estabelecer uma periodicidade e se tornar algo mais que uma luxuosa peça publicitária para a empresa italiana de pneus. Item de colecionador, o objeto reflete também os anseios da sociedade na época, especialmente quando o fotógrafo convidado busca algo maior que simplesmente apresentar a nudez. “Quando o profissional é escolhido, damos total liberdade para sua execução”, comenta Provera.

Em 2015, por exemplo, a americana Annie Leibovitz, que se notabilizou como fotógrafa na revista Rolling Stone, escolheu mulheres que se destacavam em sua atividade, como a tenista Serena Williams, e todas foram fotografadas em situações comuns à sua rotina. Além de Annie, também clicaram para o Calendário Pirelli grandes nomes da fotografia mundial como Richard Avedon, Herb Ritts, Bruce Weber, Helmut Newton, Peter Lindberg, Tim Walker, Mario Testino, Patrick Demarchelier e Steve McCurry, e artistas polêmicos como Karl Lagerfeld e Terry Richardson. Por meio de suas lentes, o calendário foi perdendo a característica de apostar principalmente no nu feminino para se transformar no registro da importância social e política de seus modelos.

Whoopi Goldberg no lançamento do Calendário de 2020. Foto Flavio Lo Scalzo/Reuters

O calendário de 2022 foi criado a partir de fotos feitas pelo músico canadense Bryan Adams. Questionado sobre qual seria o seu trabalho preferido, Provera foi diplomático: “o próximo”.