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Gutenberg

Ubiratan Brasil

15 de outubro de 2010 | 09h20

Antes de voltar a São Paulo, visitei em Mainz, cidade próxima a Frankfurt, o Museu Gutenberg. Está ali praticamente tudo o que restou de impresso da época em que ele transformou a edição da escrita em algo mais popular – embora isso só foi acontecer anos depois. Até 1500, quando Gutenberg criou a prensa, os livros eram privilégio tanto na leitura como na confecção dos religiosos, que detinham o poder da leitura. A partir da prensa, tornou-se mais fácil (e democrático) esse trabalho.

Nos últimos anos, os livros têm gerado mais comentários do que acontecia há alguns anos. A morte da edição em papel, em vista do crescimento da versão digital, já inspirou debates que prometem não acabar, mas o que vemos é a existência intacta do bom e velho volume. Em Frankfurt, durante a feira, o americano Jonathan Franzen foi perseguido como pop star por conta de seu novo livro, Freedom. Não, na verdade, por conta de todo o barulho provocado pelo livro, que foi citado pela Oprah e que rendeu a capa da revista Time ao escritor.

Ou seja, como acontece muitas vezes, a badalação parece mais interessante que o produto que a gerou. Mas, em se tratando de um livro (e esse parece realmente bom, que já o leu garante que as lágrimas são inevitáveis nos capitulos finais), tamanho barulho até que é bem vindo.

É bom saber que alguns hábitos estão mantidos. Seja um livro despertar debates acirrados (foi graças à publicação de uma obra sobre seus dias de governo que o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair voltou ao foco dos holofotes), seja descobrir que boa parte dos usuários do iPad confessaram ter escolhido essa marca porque sua tela sensível ao toque permite virar as páginas como em um livro tradicional.

Concordo com um colunista do New York Times, Carlos Cunha, para quem o verdadeiro assassino dos livros “não é uma mídia alternativa vistosa, mas um livro tão bom que torne os outros reduntantes”. Ou seja, ao contrário do que se imagina, a ficção literária não está condenada (ainda, ao menos) ao ferro-velho cultural.

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