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Foster Wallace

Ubiratan Brasil

16 de setembro de 2010 | 17h35

  Sem motivo aparente, me deu vontade outro dia de reler alguns trechos do único livro publicado no Brasil de David Foster Wallace, ‘Breves Entrevistas com Homens Hediondos’ (Companhia das Letras). Na verdade, acho que sei o motivo: foi por ter escrito sobre Raymond Carver, cuja escrita me fascina na mesma faixa que Wallace.

  Infelizmente, ele também é pouco conhecido no Brasil. Sua escrita o inclui na mesma linhagem de John Fante, ou seja, aquela muito ligada à realidade mas com um humanismo à moda antiga. Não lhe escapa também uma importante auto-ironia, muitas vezes responsável por uma certa ambiguidade do texto.

   Sua grande obra foi Infinit Jest, um imenso romance (1.079 páginas) que, quando lançado, foi comparado ao melhor de Pynchon. Uma prosa decisivamente influenciada por Joyce, com o erudito se misturando ao vernacular em longos textos.

  Já no ‘Breves Entrevistas…’, ele trata de temas preferidos, como sexo, dependência de drogas e barreiras na comunicação entre as pessoas. A ironia é bem aplicada na precisão cirúrgica com que avalia os tormentos psicológicos dos personagens dos 23 contos. Impossível terminar o livro sem sentir a garganta travada.

  Foster Wallace suicidou-se em setembro de 2008. Sua mulher o encontrou morto diante da escrivaninha, se não me falha a memória, enforcado. Deixou uma obra inédita que vai ser publicada no ano que vem, exatamente no dia 15 de abril. Trata-se de The Pale King (algo como O Rei Pálido) e se passa em um centro de processamento do imposto de renda em Illinois (onde Wallace era professor). em meados dos anos 1980, onde os empregados lutam contra um tédio esmagador.

  A notícia da publicação do livro foi divulgada hoje, na Inglaterra. Segundo Michael Pietsch, editor de longa data de Wallace, “ele se baseou em eventos diários agonizantes, como engarrafamentos no trânsito e filas intermináveis, para criar um texto bem-hmorado. Embora David não tenha terminado o romance, era surpreendente seu talento para misturar comédia com a profunda tristeza de cenas da vida cotidiana”.

  É preciso que a obra de Foster Wallace seja descoberta aqui no Brasil. Quem sabe a Companhia das Letras não retoma o projeto de divulgá-lo por aqui?

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