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Finalmente, Hair

Ubiratan Brasil

22 de janeiro de 2012 | 18h08

Comento, com um certo atraso, a estreia de Hair em São Paulo. Como já disse antes, quase se trata de uma nova versão da montagem que estreou no final de 2010 no Rio. Isso porque praticamente a metade do elenco de 30 artistas chegou agora ao espetáculo de Charles Moeller e Claudio Botelho. Foi movido por essa curiosidade que fui à estreia para convidados, no dia 17, no Teatro Frei Caneca.

Antes do início do espetáculo, confesso ter sentido um receio. É que descobri que aquela seria a oitava apresentação seguida do elenco, ou seja, desde a segunda-feira anterior, eles vinham atuando, seja em sessões para convidados, seja nas destinadas ao público. Como eu já sabia da quantidade de energia dispendida em uma apresentação (vi no Rio), temi por uma certa falta de fôlego.

Felizmente, não aconteceu. O elenco se desdobrou como se de fato estivesse estreando naquela noite. A vibrante coreografia de Alonso Barros foi executada com capricho, a versão em português das letras revelou-se ainda mais saborosa e a emoção da plateia pareceu genuína – digo isso porque habitualmente as estreias para convidados da classe e jornalistas costumam ser blasée, para desespero de elenco, produtores e diretores.

Para não dizer que foi tudo perfeito, notei apenas um descompasso no volume do som da banda com o dos atores: havia momentos em que não se entendia perfeitamente a letra cantada. E, se eu já conhecia boa parte do elenco (Hugo Bonemer continuou alternando bem euforia com a timidez de Claude, enquanto Fernando Rocha faz bem um despachado Berger, além da bela participação de Kiara Sasso como a louquinha Jeanie), confesso ter ficado surpreso com Reynaldo Machado no papel de Hud – em alguns momentos, especialmente nos seus solos, ele demonstrou estar totalmente conectado com o espírito de Hair.

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