Filme de Laís Bodanzky retrata jornada existencial de D. Pedro I
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Filme de Laís Bodanzky retrata jornada existencial de D. Pedro I

Ubiratan Brasil

30 de novembro de 2021 | 10h52

Convidada a dirigir um filme sobre D. Pedro, o proclamador da Independência do Brasil, a cineasta Laís Bodanzky não se interessou em fazer um trabalho biográfico. “Eu não queria rodar um longa que virasse consulta para o Enem”, brinca ela, que buscou a liberdade ao retratar justamente um fato pouco conhecido: a travessia que Pedro fez do Brasil a Portugal, em 1831, quando volta para enfrentar seu irmão Miguel que usurpou seu reino.

Assim, A Viagem de Pedro acompanha essa trajetória pelo Atlântico, na qual o ex-imperador do Brasil, doente e inseguro, vai em busca de uma pátria segura. “Na verdade, ele inicia uma jornada em busca de si mesmo”, diz a realizadora.

Cauã Reymond é produtor e vive o imperador em ‘A Viagem de Pedro’. Foto Fabio Braga

O longa tem previsão de estreia em março e já foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro, e marca, nesta terça, 30, o encerramento da 8ª Mostra de Cinema de Gostoso, que acontece na cidade potiguar de São Miguel do Gostoso.

O longa é protagonizado por Cauã Reymond, que teve a ideia de contar a história de Pedro ao lado do sócio Mário Canivello. Laís lembra que, na primeira conversa, foi-lhe apresentado o livro de um brasilianista para ser o ponto de partida. “Havia ali boas informações, mas meu interesse não era fazer um longa biográfico. E, depois de uma boa pesquisa, me deparei com essa viagem de volta a Portugal, sobre a qual há pouquíssimas informações – há preservado um diário de bordo, mas não nos foi permitido consultar. Ao final, foi até melhor, pois pude construir um roteiro com liberdade.”

Laís uniu detalhes retirados de diversas obras sobre aquele momento vivido por Pedro de Alcântara, o que alicerçou seu roteiro – as lacunas foram preenchidas pela sua imaginação, mas sempre baseadas em suposições do que poderia ter acontecido. “Acredito ter construído uma história muito próxima do que deve realmente ter acontecido”, conta a cineasta. “Afinal, no Brasil, é conhecida a trajetória de Pedro até ele deixar o País. E, em Portugal, sabe-se tudo a partir de sua chegada. Nada sobre a travessia.”

Laís se deparou com um personagem com muitas qualidades e imperfeições. Segundo ela, o ex-imperador era um homem impetuoso, falava várias línguas e detestava a burocracia que envolvia a função, preferindo trocar ideias com diversas pessoas. “Ao mesmo tempo, era mulherengo, trazendo amantes para o palácio quando já era casado com D. Leopoldina. Aliás, tanto ela como Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, mereceriam filmes à parte, tamanha a riqueza de suas personalidades.”

No momento retratado no filme, Pedro era já um homem ainda infeliz com a morte da esposa e já desinteressado na amante marquesa. Precisou abdicar do governo brasileiro (que vivia uma era de turbulência) para retornar a Portugal, onde seu irmão Miguel assumira ilegalmente o trono. Assim, em 13 de abril de 1831, aos 32 anos, ele embarcou no Rio de Janeiro até chegar em 10 de junho na França. Tal jornada existencial é o ponto de partida de A Viagem de Pedro.