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Festa em Frankfurt

Ubiratan Brasil

07 de outubro de 2010 | 20h26

Esse foi o segundo ano em que acompanho a divulgação do Nobel de Literatura em Frankfurt – a primeira foi em 2004, quando venceu a austríaca Elfriede Jelinek. Foi como uma ducha de água fria, pois ela manteve-se fechada em seu retiro, evitando qualquer badalação. Há de se respeitar, é claro, mas que foi na contramão das festividades que marcam Frankfurt. Lembro-me apenas de um cartaz comemorando a conquista no estande de sua editora alemã.

Com o anúncio da escolha de Mario Vargas Llosa, nesta quinta-feira, porém, foi diferente. Já comentei sobre os ‘ohs!’ disparados na sala de imprensa no momento em que foi divulgado seu nome, mas soube depois que houve uma verdadeira gritaria no estande da espanhola Santillana, dono do selo Alfaguara que edita Llosa em 22 países de língua espanhola – a mesma Alfaguara edita no Brasil, mas pertence ao grupo Objetiva.

Lágrimas surgiram e logo foram trocadas por taças de champanhe comprado às pressas. Também no pavilhão especial da Argentina houve momentos de euforia, embora muitos escritores não deixaram de criticar a posição política de Llosa que, nos últimos anos, têm pendido para a direita. Enfim, um homem cuja obra está acima de suas posições e opiniões.

Foi divertido ouvir essas histórias e acompanhar algumas. E, se no post anterior comentei da dificuldade do Brasil em levar o prêmio nos próximos dez anos por conta da vitória de um latino-americano, lembro agora que outro injustiçado também poderá ficar sem a honraria: o mexicano Carlos Fuentes, que já passa dos 80 anos. Como não acredito na escolha de outro latino em, pelo menos, dez anos, talvez ele não resista tanto. Mas espero estar completamente errado.

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